Pedido de vista adia regra sobre acordos do TCU no STF
Julgamento tem placar de 4 a 2 pela restrição da conciliação do tribunal de contas; Dias Toffoli pediu mais tempo e não há decisão final.

O Supremo Tribunal Federal (STF) terminou a sessão de quinta-feira (5) com quatro votos a dois para restringir acordos de conciliação do Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Dias Toffoli pediu vista, expressão que significa solicitar mais tempo para estudar o processo, e suspendeu o julgamento.
Ainda faltam quatro votos. Por isso, o placar não é decisão final e não permite afirmar que os acordos do TCU foram anulados ou mantidos de forma definitiva.
O que está em discussão
A ação é uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), instrumento usado para questionar atos que possam violar princípios centrais da Constituição. O Partido Novo contesta a Instrução Normativa 91/2022 do TCU.
A norma criou a Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos, conhecida como SecexConsenso. A unidade negocia soluções para conflitos administrativos, especialmente em contratos e projetos de infraestrutura.
O Partido Novo afirma que o TCU passou a atuar antes da decisão administrativa e assumiu tarefas que não pertencem ao controle externo. O tribunal de contas defende que a negociação pode evitar litígios e proteger o interesse público.
O placar mostra duas visões sobre o controle público
| Posição no julgamento | Votos | Ideia central |
|---|---|---|
| Restringir a conciliação | 4 | Usar os mecanismos principalmente em tomadas de contas especiais |
| Permitir atuação mais ampla | 2 | Admitir acordos em outros procedimentos, com salvaguardas |
| Ainda sem voto | 4 | Toffoli, Moraes, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes |
Fonte: CNN Brasil e STF. Elaboração: redação.
A tomada de contas especial é um processo voltado a apurar possível dano ao dinheiro público. O relator, ministro Edson Fachin, propôs limitar a solução consensual a esse tipo de procedimento e preservar acordos já homologados até a publicação da ata.
Cristiano Zanin, André Mendonça e Kassio Nunes Marques acompanharam a restrição. Flávio Dino e Luiz Fux defenderam uma leitura mais ampla, com exigências diferentes para evitar concentração de poder.
Acordo não elimina fiscalização
Dino propôs que o relator de cada processo conduza a negociação, em vez de a presidência do TCU escolher os casos. Fux defendeu participação da Advocacia-Geral da União (AGU) e aprovação dos acordos pelo plenário do tribunal.
Essas condições tentam separar negociação e fiscalização. O acordo pode acelerar uma solução, mas precisa deixar claro quem negocia, quem aprova e como a sociedade acompanha o cumprimento.
A CNN informou que a SecexConsenso tem 53 processos. Desses, 28 acordos foram homologados pelo plenário e sete terminaram sem acordo. Os números ajudam a medir o alcance prático da decisão, mas não revelam sozinhos o valor dos contratos ou o resultado financeiro de cada caso.
O que diz o Partido Novo: A legenda sustenta que a Instrução Normativa 91/2022 amplia indevidamente as atribuições do TCU e cria controle prévio sobre decisões administrativas. O argumento aparece na descrição oficial da ADPF 1183 pelo STF.
O pedido de vista interrompe o julgamento sem prazo público para retomada. Até a devolução do processo, a consequência concreta é a manutenção do debate e a necessidade de acompanhar os acordos já firmados sob as regras atuais.
A questão interessa a contratos de infraestrutura e a qualquer cidadão que dependa de transparência sobre o uso de recursos públicos. O próximo resultado deverá definir se a conciliação será restringida, ampliada com salvaguardas ou disciplinada por outra fórmula.
Como fizemos: Consultamos a atualização da CNN Brasil sobre a sessão de 5 de novembro, as páginas do STF sobre a ADPF 1183 e a Instrução Normativa 91/2022. Organizamos o placar, os quatro votos pendentes e os dados da SecexConsenso sem tratar o pedido de vista como decisão final.
Fontes
- STF tem quatro votos para limitar acordos no TCU e Toffoli pede vista — CNN Brasil (acesso em 06/11/2026)
- STF suspende julgamento sobre atuação do TCU em conciliações — STF (acesso em 06/11/2026)
- Partido questiona criação de secretaria para resolução de conflitos no TCU — STF (acesso em 06/11/2026)
- Foto: atividade do TCU — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 06/11/2026)
