TSE cria atendimento eleitoral em Libras por videochamada
Central conecta eleitores surdos a intérpretes em todo o país; serviço funciona por celular, computador ou cartório, com opção sem consumo de dados.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta sexta-feira (6) a Central de Intermediação em Libras (CIL). A ferramenta permite que pessoas surdas ou com deficiência auditiva falem com servidores eleitorais por videochamada, usando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). O intérprete traduz a conversa entre Libras e português.
O serviço alcança o TSE, os 27 tribunais regionais eleitorais (TREs) e brasileiros que vivem no exterior. A novidade transforma um atendimento antes concentrado em poucas capitais em uma porta de entrada nacional. Segundo a Agência Brasil, apenas cinco TREs mantinham intérpretes fixos.
Como o eleitor pode usar a central
A plataforma funciona em celular, tablet ou computador. O eleitor inicia a chamada e um intérprete participa da conversa com o servidor. Também existe opção de bate-papo por texto para quem preferir esse canal.
Os cartórios, as recepções e as ouvidorias terão equipamentos para conectar o usuário à central. Quem não tiver aparelho próprio pode procurar uma unidade da Justiça Eleitoral. O TSE informa que o atendimento segue o horário regular de cada tribunal.
Canais para pedir atendimento em Libras Opções anunciadas pelo TSE em 6 de novembro de 2026
| Canal | Como funciona |
|---|---|
| Videochamada | Intérprete traduz Libras e português em tempo real |
| Webchat | Conversa escrita com a equipe de atendimento |
| Cartório eleitoral | Equipamento da unidade conecta o eleitor à central |
| Aplicativo Icom | Leitura de QR Code pode evitar consumo da franquia móvel |
Fonte: TSE e Agência Brasil. Elaboração: redação.
Para usar a videochamada sem descontar a franquia de dados, o cidadão precisa instalar antes o aplicativo Icom, disponível para Android e iOS. Depois, deve ler o QR Code publicado no portal do TSE ou afixado nos pontos de atendimento. A plataforma também oferece internet patrocinada, segundo a descrição oficial.
A escala do público ajuda a medir o alcance da medida. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou mais de 2 milhões de pessoas surdas ou com deficiência auditiva em 2022. O TSE informou que cerca de 182,3 mil eleitores cadastrados tinham deficiência auditiva em 2026. Eles representavam aproximadamente 8,37% do eleitorado com deficiência.
Antes da central, a pessoa dependia muitas vezes de acompanhante, escrita ou gestos. Isso podia expor dados pessoais e reduzir a autonomia para tratar de título, transferência, justificativa ou denúncia. A tradução por intérprete diminui essa barreira, mas o resultado dependerá de conexão, treinamento e divulgação do serviço.
O que diz o TSE: O tribunal afirma que a CIL amplia a acessibilidade e permite atendimento remoto ou presencial com tradução simultânea entre Libras e português. A página oficial orienta o uso por celular, tablet, computador ou equipamentos da recepção e da Ouvidoria.
A criação da central não elimina a obrigação de cada TRE manter atendimento acessível. Ela oferece uma estrutura comum para todo o país. O próximo teste será a capacidade de responder nos períodos de maior procura, como o fechamento do cadastro e os dias de votação.
Como fizemos: Consultamos a página da Central de Intermediação em Libras do TSE e a reportagem da Agência Brasil, acessadas em 06/11/2026. Reproduzimos os números informados pelo TSE e pelo IBGE e organizamos os canais descritos nos dois textos. As fontes não permitem medir, ainda, tempo de espera ou volume de chamadas.
Fontes
- Central de Intermediação em Libras — Tribunal Superior Eleitoral (acesso em 06/11/2026)
- Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras — Agência Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Censo 2022: pessoas com deficiência — IBGE (acesso em 06/11/2026)
