Devido processo

Bloqueio em operação contra bets é 4,7 vezes valor investigado

Azzardo cumpre 52 buscas em seis unidades federativas e atinge 184 pessoas físicas e jurídicas; medidas são cautelares e não comprovam as fraudes apuradas.

Viatura do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal em uma avenida
Viatura do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal, fotografada em 2009.Foto: Degu93 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Operação Azzardo cumpriu nesta quinta-feira (5) 52 mandados de busca e apreensão contra uma rede de apostas de quota fixa sem autorização federal. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) estima que o grupo movimentou R$ 734 milhões.

A Justiça do Distrito Federal autorizou bloqueio de R$ 3,483 bilhões. O teto é cerca de 4,7 vezes o valor atribuído às movimentações investigadas. São medidas cautelares, adotadas para preservar a apuração, e não declaração de culpa ou confisco definitivo.

Ação reúne seis unidades federativas

Cerca de 200 policiais participaram da operação no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. No DF, os mandados alcançaram Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Em São Paulo, houve diligências em áreas empresariais, incluindo Faria Lima e Vila Olímpia.

O bloqueio atinge 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas. A decisão também suspendeu inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e registros nas juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais.

Outras medidas proibiram investigados de abrir novas contas bancárias durante 90 dias. A Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas. Cada medida decorre da decisão judicial e não equivale a sentença criminal.

Bloqueio e movimentação investigada não são a mesma medida Números divulgados pela PCDF na Operação Azzardo, em 5 de novembro

Item Valor ou quantidade
Movimentação atribuída à rede R$ 734 milhões
Bloqueio autorizado R$ 3,483 bilhões
Razão entre bloqueio e movimentação Cerca de 4,7 vezes
Pessoas físicas e jurídicas alcançadas pelo bloqueio 184

Fonte: Polícia Civil do Distrito Federal, segundo a Agência Brasil. Elaboração: redação.

Empresas de fachada aparecem na investigação

A apuração começou há cinco meses, após comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os sites eram divulgados em redes sociais e apareciam em ferramentas de busca. Segundo a polícia, não tinham autorização federal para operar.

Investigadores afirmam ter encontrado dezenas de empresas com o mesmo endereço e telefone. Uma tinha como endereço uma padaria. Outra usava uma residência cuja moradora relatou ter recebido R$ 200 para fornecer seus dados. Esses relatos integram a investigação e ainda serão examinados no processo.

A PCDF investiga exploração de loteria não autorizada, estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Essas são hipóteses atribuídas pela polícia. A matéria não anuncia indiciamentos ou denúncias contra os alvos.

Apostadores relataram não receber valores

O delegado Paulo Pereira afirmou que apostadores registraram boletins de ocorrência por não receber valores esperados. Segundo ele, parte deles não sabia que os sites eram ilegais e aparentemente foi vítima de estelionato. A palavra descreve a hipótese policial, não uma conclusão judicial.

A polícia também informou que recursos de apostadores passaram por mais de 100 contas na instituição financeira A55. Cerca de R$ 1 bilhão teria circulado dessa forma. Esse número tem escopo diferente dos R$ 734 milhões atribuídos à rede e não deve ser somado a ele.

A Agência Brasil informou que tentava contato com a A55 e não publicou posicionamento da instituição até a consulta da redação. A reportagem afirmou que a instituição, duas empresas do mesmo grupo e dirigentes foram alvos de buscas e bloqueios.

O que diz a PCDF: A polícia afirma que a rede operava sem autorização, usava empresas de fachada e recebia recursos por mais de 100 contas. O delegado Paulo Pereira relatou boletins de apostadores que não receberam valores e desconheciam a ilegalidade dos sites.

O material apreendido deverá orientar as próximas etapas da investigação. Eventual indiciamento pela polícia não se confunde com denúncia do Ministério Público. Para os apostadores, os relatos policiais indicam a importância de preservar comprovantes e registros, sem presumir ressarcimento automático.

Como fizemos: Consultamos os números da PCDF reproduzidos pela Agência Brasil em 06/11/2026. Dividimos R$ 3,483 bilhões por R$ 734 milhões e arredondamos a razão para 4,7. Somamos 64 pessoas físicas e 120 jurídicas, sem tratar o bloqueio como valor recuperado nem combinar estimativas de escopos distintos.

Fontes