Brasil leva à OEA bloqueios de cerca de 30 perfis jornalísticos
Nove organizações relataram restrições sem justificativa no Instagram; Meta rejeitou canal urgente e diz aplicar regras iguais a todos os usuários.

O Brasil apresentou à Organização dos Estados Americanos (OEA) relatos sobre bloqueios e suspensões de aproximadamente 30 perfis jornalísticos no Instagram. A manifestação ocorreu na quarta-feira (4), em reunião do Conselho Permanente. Nove organizações da sociedade civil haviam encaminhado os casos ao Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais.
O número apareceu em pronunciamento da secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Loula. Ela relatou ausência de justificativas e de critérios transparentes por parte da plataforma. A apresentação vinculou a transparência das redes à proteção da circulação de informações de interesse público.
Levantamento chegou a cerca de 30 perfis
Em agosto, o Observatório havia enviado à Meta relatos sobre 24 perfis com indícios de restrições sem explicação. A lista citava Mentira Tem Preço, Tapajós de Fato e Revista Cenarium. Em outubro, o Ministério da Justiça voltou a cobrar a empresa depois de novos episódios.
A referência mais recente é aproximadamente 30 contas. Os documentos públicos não detalham se todos os casos anteriores permanecem na contagem. Também não informam quantos perfis seguem bloqueados. Por isso, a diferença numérica não deve ser lida como seis novas suspensões confirmadas.
Relatos ganharam escala, mas faltam dados sobre desfechos Registros públicos do Observatório em 2026
| Momento | Perfis citados | Organizações que relataram |
|---|---|---|
| Encaminhamento de agosto | 24 | 9 |
| Apresentação à OEA em novembro | Cerca de 30 | 9 |
| Situação individual divulgada | Não detalhada | Não detalhada |
Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública. Elaboração: redação.
Meta recusou canal específico para urgências
Em 16 de outubro, a Meta negou formalmente a criação de um canal direto para casos urgentes envolvendo imprensa. A empresa alegou complexidade técnica, jurídica e operacional. Também afirmou que o mecanismo poderia representar a “assunção de novas obrigações regulatórias”.
Segundo a resposta reproduzida pelo Ministério da Justiça, as políticas são aplicadas de forma isonômica. A empresa considera suficientes os canais gerais oferecidos aos usuários. Para situações eleitorais, mencionou o fluxo institucional já existente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Observatório sustenta que esses mecanismos não respondem à urgência de ameaças, assédio e suspensões. A cobrança também alcança períodos fora da eleição. O ponto central é permitir revisão rápida quando uma restrição interrompe a distribuição de jornalismo.
Discussão internacional exige salvaguardas
A fala brasileira tratou principalmente de interferência e manipulação estrangeira de informação. O conceito reúne ações coordenadas de agentes externos para distorcer o ambiente informativo. Pode envolver perfis inautênticos, financiamento oculto e manipulação de algoritmos.
O Brasil propôs intercâmbio de alertas, preservação de provas digitais e pontos de contato entre autoridades. Também defendeu que o combate à manipulação não restrinja manifestações legítimas. A origem estrangeira de uma informação, por si só, não caracteriza interferência indevida.
O representante dos Estados Unidos, Francisco O. Mora, apresentou uma ressalva. Segundo a CNN Brasil, ele afirmou que desinformação pode ser usada como “arma para censura”. Uruguai, México e Canadá se disseram abertos a discutir o tema.
O que diz a Meta: Em resposta ao Observatório, a empresa afirmou que aplica suas políticas de forma isonômica e que os canais gerais são suficientes. Ela recusou um canal específico para a imprensa e remeteu casos eleitorais ao fluxo com o TSE, conforme documento divulgado pelo Ministério da Justiça.
A reunião não produziu uma decisão sobre os perfis citados. A próxima etapa é uma discussão técnica sobre cooperação regional. Para os veículos, permanece a necessidade de respostas individualizadas, prazos de revisão e transparência sobre cada restrição.
Como fizemos: Comparamos os comunicados do Ministério da Justiça de agosto, outubro e novembro, além da cobertura da reunião pela CNN Brasil, acessados em 06/11/2026. Separamos o total aproximado de perfis da situação individual de cada conta. Não calculamos crescimento percentual porque o número mais recente é aproximado e as listas não foram publicadas.
Fontes
- Brasil leva à OEA debate sobre interferência estrangeira na informação — Ministério da Justiça (acesso em 06/11/2026)
- Meta responde ao Observatório sobre contas de jornalistas — Ministério da Justiça (acesso em 06/11/2026)
- Brasil leva à OEA debate sobre interferência estrangeira — CNN Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Foto: sede da OEA — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5) (acesso em 06/11/2026)
