Fim da 6x1 terá 42 horas antes do limite de 40
Emenda 141 garante duas folgas semanais sem corte salarial, permite adaptações coletivas e alcança cerca de 14,9 milhões de trabalhadores na escala 6x1.

A jornada 5x2 começa em 15 de dezembro, segundo o calendário divulgado pelo Senado. O trabalhador terá dois dias de repouso semanal remunerado e limite de 42 horas por semana. Doze meses depois, o teto cairá para 40 horas, sem redução salarial.
A mudança da Emenda Constitucional 141 alcança cerca de 14,9 milhões de pessoas que trabalham na escala 6x1. Elas representam um terço dos 44,7 milhões de trabalhadores com jornada identificada, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A redução tem duas etapas, não uma queda imediata
Até 14 de dezembro, permanece o limite atual de 44 horas semanais com um descanso semanal. Na primeira etapa, o limite passa a 42 horas e a escala 5x2 se torna a regra. Em dezembro de 2027, começa o teto de 40 horas.
Um dos descansos deverá ocorrer preferencialmente aos domingos. A palavra “preferencialmente” permite organizar escalas em atividades que funcionam todos os dias. Isso não elimina o direito aos dois repousos nem autoriza reduzir o salário por causa da menor jornada.
Quem já trabalha até 40 horas não terá nova redução proporcional. A emenda estabelece um limite geral, não uma obrigação de cortar jornadas que já estão abaixo ou no teto final.
O descanso aumenta antes de a jornada chegar a 40 horas Regras de transição da Emenda 141, promulgada em 16 de outubro de 2026
| Período | Limite semanal | Repouso semanal |
|---|---|---|
| Até 14 de dezembro de 2026 | 44 horas | Um dia |
| A partir de 15 de dezembro de 2026 | 42 horas | Dois dias |
| A partir de dezembro de 2027 | 40 horas | Dois dias |
Fonte: Senado Federal e Emenda Constitucional 141/2026. Elaboração: redação.
Negociação coletiva organiza a adaptação
Durante a transição, acordos ou convenções coletivas poderão ampliar a jornada diária para acomodar as 42 horas. Os dois dias de repouso precisam ser preservados. A negociação coletiva ocorre entre representantes dos trabalhadores e das empresas.
Também será possível compensar folgas. Nesse caso, a média deve ser de dois descansos por semana no mês, com pelo menos um dia de descanso a cada sete. Compensação não significa apagar os dias de repouso.
Cláusulas incompatíveis com a nova regra perderão validade após os 60 dias iniciais. Para microempreendedores individuais, microempresas e pequenas empresas, uma futura lei complementar poderá criar medidas específicas de adaptação, condicionadas à manutenção dos empregos.
A emenda não altera a jornada dos servidores públicos da União, estados, Distrito Federal e municípios. Há ainda regra específica para empregados com diploma superior. Ela vale para quem recebe ao menos 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social, sem retirar a garantia de repouso.
Decreto e ações no STF definem os próximos dias
O MTE anunciou para segunda-feira (9) um decreto com diretrizes para organizar as escalas e assegurar ao menos oito folgas mensais. O documento deverá detalhar a implementação, mas não pode retirar o que a Constituição garante.
CNI e CNC pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais prazo para a mudança. O ministro Flávio Dino convocou conciliação para terça-feira (10). Até a publicação deste guia, não havia decisão suspendendo a emenda. Portanto, o calendário aprovado continua sendo a referência.
O que diz o MTE: O ministro Luiz Marinho informou que o decreto coordenará as diferentes escalas sem comprometer direitos nem o funcionamento das empresas. Segundo ele, a regulamentação garantirá pelo menos oito folgas por mês.
O trabalhador deve guardar contracheques, escalas e instrumentos coletivos para comparar a nova organização com o salário atual. Empresas precisam revisar turnos antes de dezembro. Eventual alteração judicial deverá ser comunicada oficialmente, e não decorre apenas dos pedidos patronais.
Como fizemos: Consultamos a Emenda 141, a explicação do Senado e as decisões noticiadas pela Agência Brasil, acessadas em 06/11/2026. Organizamos as etapas pelo calendário oficial de 60 dias. Os 14,9 milhões são estimativa do MTE para quem cumpre 6x1; o número não inclui todos os trabalhadores que terão redução de jornada.
Fontes
- Congresso promulga o fim da escala 6x1 — Senado Federal (acesso em 06/11/2026)
- Emenda Constitucional 141/2026 — Presidência da República (acesso em 06/11/2026)
- Dino marca audiência de conciliação sobre fim da escala 6x1 — Agência Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Foto: promulgação das Emendas 140 e 141 — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 06/11/2026)
