Religião

CNBB reúne nove tradições e redes para mobilização pela paz

Encontro inter-religioso em Brasília discutiu intolerância e preconceito; participantes preparam carta conjunta para o Dia Mundial da Paz de 2027.

Representantes de diferentes religiões reunidos em seminário contra a intolerância
Seminário de diálogo inter-religioso contra a intolerância, em Belo Horizonte, em maio de 2013.Foto: Circuito Fora do Eixo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu na quarta-feira (4) representantes de diferentes religiões para discutir uma mobilização conjunta pela paz. O encontro ocorreu na sede da entidade, em Brasília. Participantes relataram preocupações com intolerância e preconceito.

Estavam presentes comunidades cristãs, judaicas, islâmicas, espíritas e de matriz africana, além de outras tradições e redes. O encaminhamento mais concreto é uma carta para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2027. A proposta deverá ser aberta à adesão de comunidades de diferentes regiões.

Encontro amplia articulação iniciada em 2015

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, recebeu os participantes ao lado de assessores da entidade. Segundo ele, o diálogo precisa produzir iniciativas concretas em favor de uma sociedade mais justa e solidária.

O assessor padre Marcus Barbosa afirmou que a articulação começou em 2015. Na ocasião, representantes religiosos de Brasília se mobilizaram pela defesa da Lei da Aprendizagem. Desde então, o grupo ampliou sua participação e passou a discutir outras formas de cooperação.

Mobilização tem histórico e um próximo compromisso Marcos informados pela CNBB sobre a articulação inter-religiosa

Período Encaminhamento
2015 Articulação em defesa da Lei da Aprendizagem
Novembro de 2026 Encontro sobre paz, diversidade e intolerância
Janeiro de 2027 Proposta de carta para o Dia Mundial da Paz

Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Elaboração: redação.

Diversidade aparece na composição da mesa

A lista divulgada inclui Assembleia de Deus, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Associação Cultural Israelita de Brasília. Também participaram comunidades islâmicas, Federação Espírita do Distrito Federal, Brahma Kumaris e religiões de matriz africana.

Completam a relação a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Templo da Boa Vontade e redes como a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. A presença variada permite compartilhar problemas que não atingem todas as comunidades da mesma forma.

A reunião não apresentou um levantamento sobre casos de intolerância. Por isso, as preocupações relatadas não devem ser tratadas como estatística. O fato documentado é que representantes colocaram o tema no centro da conversa e propuseram atuação conjunta.

Estado laico protege a cooperação sem impor crença

A Constituição assegura liberdade de crença e livre exercício dos cultos religiosos. Também veda ao poder público estabelecer cultos ou igrejas oficiais. Essas regras protegem tanto a atuação das comunidades quanto o direito de não professar uma religião.

O diálogo entre tradições não transforma a CNBB em autoridade pública nem cria obrigação para quem não participa. Trata-se de cooperação civil em torno de objetivos declarados. O Estado laico é compatível com essa atuação porque não exige afastamento das religiões da vida social.

Para o leitor, a diferença é importante. Liberdade religiosa não pertence apenas à maior denominação nem depende de concordância doutrinária. O encontro reuniu organizações distintas sem exigir que abandonassem suas identidades.

O que diz a CNBB: Dom Ricardo Hoepers afirmou que os participantes compartilharam alegrias e tristezas diante da intolerância. Em nota oficial, declarou: “Somos construtores, somos semeadores da paz”.

A próxima etapa será a elaboração da carta de janeiro de 2027. O texto e a lista de adesões mostrarão o alcance efetivo da mobilização. Até lá, o encontro estabelece uma agenda comum, mas ainda não uma campanha nacional implementada.

Como fizemos: Consultamos a nota e as falas publicadas pela CNBB em 04/11/2026. Organizamos a cronologia e separamos o encontro realizado da iniciativa ainda prevista. Não convertemos relatos de intolerância em dados quantitativos nem atribuímos posição única a todas as religiões.

Fontes