Religião

Flávio acusa membros da CNBB de espalhar boato sobre Aparecida

Flávio disse que pessoas da CNBB espalharam boato sobre a padroeira; a CNBB negou no mesmo dia e disse que a acusação não tinha fatos nem provas.

Fachada da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com cúpulas e uma praça com carros estacionados, sob céu azul
Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), santuário da padroeira do Brasil.Foto: Mike Peel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No dia 27 de setembro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que pessoas de dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudaram a espalhar um boato. O boato dizia que ele tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A CNBB negou a acusação no mesmo dia.

A CNBB reúne os bispos católicos do país. O caso mostra como a fé entrou na disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Este texto reúne o que Flávio disse, a resposta da CNBB e o que o histórico dele registra sobre religião.

A acusação e a resposta da CNBB

Segundo o Poder360, a CNBB respondeu que a acusação não tinha fatos nem provas. Nas reportagens consultadas, não há prova apresentada por Flávio para sustentar a acusação contra a entidade.

Um bispo criticou o histórico da família Bolsonaro de ataques à CNBB, segundo o Metrópoles. A crítica foi dirigida à família, e não apenas ao senador.

A negativa do senador veio antes. Ele disse que não pretende tirar o título de Aparecida e chamou o boato de mentira do PT, segundo a CNN Brasil. A mesma reportagem informa que o pastor que o batizou em 2024 havia escrito um livro defendendo a retirada do título.

Fé na campanha e o que o histórico mostra

Flávio se diz evangélico desde a juventude, período em que frequentou uma escola batista por influência da mãe. Ele foi batizado quatro vezes, segundo a Agência Pública. As datas são na juventude, em 2016 no rio Jordão, em viagem liderada pelo pastor Everaldo, em 2024 com a mulher em Brasília e de novo no Jordão, no início de 2026.

Em agosto de 2026, ele prometeu decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo, segundo O Tempo. Um pastor criticou a proposta e a classificou como inconstitucional e teologicamente equivocada, de acordo com o Estado de Minas. Em junho e de novo em outubro, ele disse que o país enfrenta uma “guerra espiritual”, segundo a Gazeta do Povo.

Alguns pastores disseram à Agência Pública que Flávio não parece evangélico. Eles citam festas de carnaval, o uso de cigarro eletrônico e a linguagem dele. Nenhuma das fontes consultadas consegue dizer se ele é ou não cristão. O que os fatos mostram é o uso político da fé e as críticas de líderes religiosos.

Há também um dado que joga a favor do senador. Nas listas de doadores de 2026 consultadas, não aparecem pastores nem igrejas, segundo o Poder360. Dos R$ 61,7 milhões arrecadados até 1º de outubro, R$ 55,2 milhões vieram do fundo do PL, cerca de 89%. Os dados têm limite. Parte das listas não pôde ser lida, então um doador religioso fora do topo não pode ser descartado.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele negou que pretenda tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira e chamou o boato de mentira do PT, segundo a CNN Brasil.

O que isso significa

A acusação de Flávio contra membros da CNBB ficou sem prova pública até agora, e a conferência a rejeitou no mesmo dia. O conflito com a Igreja Católica é o ponto mais concreto do debate religioso desta campanha.

Para o eleitor, o dado mais útil é o histórico. A fé aparece em discursos, batismos e promessas de decreto, e esses fatos são documentados. A fé pessoal do candidato não tem resposta nos registros disponíveis, e este texto não tenta dar uma.

Como fizemos: Reunimos declarações e reportagens da CNN Brasil, do Poder360, do Metrópoles, da Agência Pública, do O Tempo, do Estado de Minas e da Gazeta do Povo, publicadas entre julho e outubro de 2026. Os dados de doação são de levantamento do Poder360 sobre as prestações de contas do TSE. A proporção de 89% foi calculada sobre os valores citados, R$ 55,2 milhões de R$ 61,7 milhões. Parte das listas do levantamento estava em gráficos que não pudemos ler.

Fontes