OAB-TO pede auditoria no e-Proc e mutirão de alvarás
Pedido ao CNJ busca checar dados sob sigilo e destravar alvarás após nove dias sem acesso externo; tribunal nega comprometimento.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins (OAB-TO) informou neste sábado (7) que acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após a paralisação do sistema e-Proc. A entidade pede auditoria externa e um mutirão para liberar pagamentos judiciais.
O sistema do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) ficou sem acesso externo entre 20 e 29 de outubro. Foram nove dias sem consulta de processos, protocolo de petições e acompanhamento de ações por advogados e cidadãos.
O novo pedido não presume invasão nem vazamento. A OAB quer que uma verificação independente examine processos sob segredo de justiça e credenciais de usuários.
Auditoria examinaria segurança e integridade
A proposta pede que o CNJ coordene a auditoria, com acompanhamento da seccional e possível apoio técnico da OAB nacional. O trabalho identificaria a origem do incidente e a forma de entrada no sistema.
Também verificaria a linha do tempo, os sistemas atingidos e a integridade dos autos eletrônicos. Processos de família, infância, medidas protetivas e investigações criminais estão entre os dados que exigem atenção.
A OAB defende a publicação do relatório final. Apenas detalhes técnicos capazes de facilitar novos ataques ficariam protegidos. A medida busca transparência sem criar outro risco.
Pedido combina segurança digital e acesso à Justiça Medidas solicitadas pela OAB-TO ao CNJ em novembro de 2026
| Frente | Medida solicitada |
|---|---|
| Dados e sistemas | Auditoria externa e independente |
| Pagamentos | Mutirão para alvarás, requisições de pequeno valor e precatórios |
| Comunicação | Canal oficial a ser criado em cinco dias |
| Prazos processuais | Retomada após normalização efetiva e comunicação |
Fonte: OAB-TO. Elaboração: redação.
Mutirão priorizaria valores de natureza alimentar
Alvarás judiciais, requisições de pequeno valor e precatórios ficaram pendentes durante a paralisação. Esses documentos permitem o recebimento de valores reconhecidos pela Justiça.
A OAB pede prioridade para créditos de natureza alimentar, inclusive honorários advocatícios. O presidente da seccional, Gedeon Pitaluga, afirma que esses pagamentos ajudam a garantir o sustento de profissionais e famílias.
O efeito não interessa apenas aos advogados. A demora também atinge cidadãos que dependem de valores já reconhecidos judicialmente. A entidade quer um plantão para organizar a fila acumulada.
O que diz o TJTO: Ao restabelecer o sistema em 29 de outubro, a presidente Maysa Vendramini Rosal afirmou que as verificações técnicas não encontraram comprometimento de dados pessoais ou processuais. O tribunal disse que a suspensão foi preventiva e manteve a investigação sobre a origem do incidente.
A posição do tribunal e o pedido da OAB tratam de etapas diferentes. A verificação interna já apontou preservação dos dados. A auditoria solicitada seria independente e ainda não foi determinada pelo CNJ.
No retorno do serviço, usuários precisaram redefinir senhas e ativar autenticação em dois fatores. Esse procedimento exige uma segunda confirmação além da senha para entrar no sistema.
A OAB também pede informações sobre comunicações feitas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados e a outros órgãos. O CNJ ainda precisa decidir se aceita a auditoria, o mutirão e as demais providências.
Como fizemos: Consultamos a íntegra do comunicado da OAB-TO, a posição do TJTO publicada pelo G1 e a reportagem de AF Notícias, acessadas em 07/11/2026. Comparamos os nove dias de indisponibilidade com as medidas pedidas. Não há evidência pública de vazamento, e o texto não presume que ele tenha ocorrido.
Fontes
- Pedido de auditoria e mutirão — OAB-TO (acesso em 07/11/2026)
- Retomada do sistema e posição do TJTO — G1 (acesso em 07/11/2026)
- Detalhes do pedido ao CNJ — AF Notícias (acesso em 07/11/2026)
- Foto: Tribunal de Justiça do Tocantins — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 07/11/2026)
