Marcha do Orgulho reúne milhares e muda rota antes da visita papal
35ª edição manteve a data após negociação com a cidade; observatório registrou 80 homicídios por crimes de ódio LGBT+ em 2025.

Milhares de pessoas participaram neste sábado (7) da 35ª Marcha do Orgulho em Buenos Aires, segundo a Agência France-Presse. O evento manteve a data tradicional, mas alterou o trajeto por causa das restrições ligadas à visita do papa Leão XIV, prevista para domingo (8).
A coluna principal começou a avançar às 16h pela Avenida de Mayo em direção ao Congresso. O ponto de partida ficou na região da rua Lima, e não na tradicional Plaza de Mayo. A mudança resultou de negociação entre organizadores e o governo da cidade.
A rota mudou sem cancelar a manifestação
A prefeitura havia sugerido transferir a marcha para 21 de novembro, conforme relato publicado pelo BAE Negocios. A Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho rejeitou a alteração da data. As partes chegaram a um formato que permitiu realizar o evento e o esquema da visita papal.
O acordo mostra uma solução concreta para dois usos do espaço público. Não representa ausência de restrição: houve mudança de percurso e cortes de vias. Também não equivale a proibição: a manifestação ocorreu com concentração, passeata, feira e atos culturais.
Negociação preservou a data, mas alterou o percurso Elementos centrais da 35ª Marcha do Orgulho, em 7 de novembro de 2026
| Elemento | Como ficou |
|---|---|
| Data | Mantida em 7 de novembro |
| Trajeto | Avenida de Mayo, da região da Lima ao Congresso |
| Início da movimentação principal | 16h |
| Consigna | “Quando o ódio avança, o orgulho nas ruas é resistência” |
Fonte: C5N, BAE Negocios e Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho. Elaboração: redação.
A Convenção Americana sobre Direitos Humanos reconhece o direito de reunião pacífica e sem armas. O artigo 15 admite restrições legais necessárias em sociedade democrática. Elas precisam ter finalidades como segurança ou proteção dos direitos de outras pessoas, não eliminar o conteúdo da manifestação.
Reivindicações chegam junto com a festa
A programação reuniu carros alegóricos, apresentações musicais e uma feira com 450 estandes. A C5N registrou ações de testagem rápida, gratuita e confidencial para HIV. Também informou a presença de 200 socorristas distribuídos perto dos palcos.
Os pedidos centrais incluem ampliação de direitos para pessoas trans, resposta à emergência em saúde sexual e defesa da memória. A convocatória também menciona lei integral trans, nova legislação antidiscriminatória e reparação histórica para travestis e pessoas trans mais velhas.
A dimensão festiva não apaga o conteúdo das reivindicações. Jesica Pintos, anestesista de 51 anos, disse à AFP que foi “comemorar a liberdade” com a esposa e o filho do casal. Ela relatou responder à intolerância “com amor, com projetos, com família e com esta festa”.
Homicídios foram 35,2% dos casos de ódio notificados Registros do Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+ em 2025
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Crimes de ódio notificados | 227 |
| Casos que terminaram em homicídio | 80 |
| Participação dos homicídios no total | 35,2% |
Fonte: Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+, citado pela AFP. Cálculo da proporção: redação.
Os 80 homicídios representam um pico na série iniciada em 2016, segundo o observatório. Mulheres transgênero formam o grupo mais afetado no último relatório. A taxa de 35,2% mede a gravidade dos casos registrados, não a probabilidade de uma pessoa LGBT+ sofrer homicídio.
A visita papal entrou nas mensagens
Bandeiras papais apareceram nos mastros da cidade ao lado de leques coloridos. Algumas fantasias usaram alegorias religiosas. O encontro visual não significa posição oficial da Igreja sobre a marcha.
Brandon González, de 27 anos, disse à AFP que a visita poderia abrir alguma conexão. Ele manifestou a expectativa de que o papa dedicasse palavras e interesse ao evento. Até o relato consultado, não havia declaração de Leão XIV sobre a marcha.
O que diz a organização: Em setembro, a Comissão Organizadora afirmou que o diálogo com o governo da cidade encontrou uma solução para compatibilizar a marcha e o esquema da visita papal. A entidade disse que o acordo garantiu os dois acontecimentos “sem resignar direitos”.
O próximo teste será o conteúdo das respostas às reivindicações apresentadas no Congresso. O ato deixou uma lição institucional imediata: negociar rotas e segurança pode preservar o direito de reunião sem fingir que a adaptação não teve custo.
Como fizemos: Consultamos AFP, C5N e BAE Negocios, além da Convenção Americana, com acesso em 07/11/2026. Dividimos 80 por 227 para calcular a proporção de homicídios. Não encontramos contagem oficial de participantes nem relatório completo do observatório; por isso, mantivemos “milhares” e os limites da série.
Fontes
- Milhares participam da Marcha do Orgulho em Buenos Aires — AFP/UOL (acesso em 07/11/2026)
- Marcha do Orgulho 2026, trajeto e reivindicações — C5N (acesso em 07/11/2026)
- Negociação da data e programação da 35ª edição — BAE Negocios (acesso em 07/11/2026)
- Convenção Americana sobre Direitos Humanos, artigo 15 — OEA (acesso em 07/11/2026)
- Foto: 34ª Marcha do Orgulho em Buenos Aires — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 07/11/2026)
