Flávio ataca Nunes Marques e repete dúvida sobre eleição sem provas
Em entrevista ao Washington Post, senador diz que presidente do TSE não sabe do que fala; tribunal registrou resultado e não identificou fraude.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar a eleição em entrevista publicada neste sábado (7) pelo Washington Post. Ao comentar a avaliação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, declarou: “Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando”.
Flávio afirmou que ninguém poderia assegurar “com 100% de certeza” a ausência de fraude. Segundo o Poder360 e o Estadão, ele não apresentou prova de irregularidade na entrevista. Nunes Marques já havia afirmado que o pleito transcorreu com normalidade e que questionamentos legais seriam analisados.
A dúvida genérica não comprova irregularidade
A nova declaração parte da impossibilidade de garantir certeza absoluta. Esse argumento não identifica urna, boletim, seção ou voto alterado. Também não apresenta documento que contrarie a totalização concluída pelo TSE em 25 de outubro.
O tribunal informou que apurou 100% das urnas às 23h26. Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos e 3,58 pontos percentuais.
Lula venceu por mais de 4,4 milhões de votos Resultado oficial do segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026
| Candidato | Votos | Votos válidos |
|---|---|---|
| Luiz Inácio Lula da Silva | 64.256.232 | 51,79% |
| Flávio Bolsonaro | 59.826.041 | 48,21% |
| Diferença | 4.430.191 | 3,58 p.p. |
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral. Diferença calculada pela redação.
O Boletim de Urna reúne o resultado de cada seção. A totalização soma esses registros, sem realizar uma nova votação. Segundo o TSE, quase todos os boletins já haviam chegado aos servidores centrais por volta das 19h. O resultado matemático foi definido às 21h09. Separar votação, registro e soma ajuda a avaliar a alegação: cada etapa exigiria uma prova específica.
A contagem oficial não responde a toda dúvida hipotética. Ela estabelece, porém, o resultado verificável pelos procedimentos eleitorais. Para contestá-lo com efeito jurídico, é necessário indicar fatos e provas que possam ser examinados pela Justiça Eleitoral.
Crítica é protegida, mas fatos exigem base
Criticar um ministro ou o funcionamento da apuração integra a liberdade de expressão. O artigo 5º da Constituição protege a livre manifestação do pensamento. Essa garantia permite cobrança dura, discordância e fiscalização das instituições.
Uma acusação factual, contudo, não se torna verdadeira apenas porque foi formulada como dúvida. A reportagem do Estadão registra que as autoridades brasileiras não encontraram irregularidades no resultado. O próprio Flávio havia anunciado pedido de anulação e depois recuado, segundo o Poder360.
Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, pai do senador. A origem da indicação não prova isenção ou parcialidade. Ela mostra, porém, que a divergência atual envolve um integrante da cúpula do Judiciário escolhido pelo governo anterior, não um opositor original da família.
O que diz Nunes Marques: Em manifestação de 28 de outubro, o presidente do TSE afirmou que as eleições ocorreram “dentro da mais absoluta normalidade” e com respeito às leis e à Constituição. Ele também disse que questionamentos feitos dentro do devido processo legal seriam respondidos.
O que fica aberto
A entrevista desloca novamente o debate para a confiança pública, sem acrescentar evidência ao processo eleitoral. A soberania do voto depende de permitir contestação, mas também de examinar cada alegação com documentos e contraditório.
O TSE já concluiu a apuração e proclamou o resultado. Qualquer nova impugnação precisará mostrar qual ato concreto teria alterado a votação ou a contagem. Até a publicação desta reportagem, a declaração de Flávio não trouxe esse elemento.
Como fizemos: Comparamos as declarações publicadas neste sábado com a nota de Nunes Marques e o resultado oficial do TSE, acessados em 07/11/2026. Subtraímos os votos e os percentuais dos dois candidatos. As fontes consultadas não registram prova nova de fraude apresentada pelo senador.
Fontes
- Flávio questiona aval de Nunes Marques à eleição — Poder360 (acesso em 07/11/2026)
- Entrevista de Flávio ao Washington Post — Estadão (acesso em 07/11/2026)
- Totalização e resultado do segundo turno — TSE (acesso em 07/11/2026)
- Presidente do TSE diz que eleições ocorreram dentro da normalidade — Agência Brasil (acesso em 07/11/2026)
- Constituição Federal, artigo 5º — Presidência da República (acesso em 07/11/2026)
- Foto: Flávio Bolsonaro no Senado — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 07/11/2026)
