Devido processo

Peña tem prisão preventiva decretada após denúncia no Paraguai

Ex-presidente responde por suspeitas ligadas ao Ueno Bank; medida cautelar não é condenação, e crise bloqueou contas de milhões de clientes.

Santiago Peña de camisa clara ao ar livre, com vegetação ao fundo
Santiago Peña, então ministro da Fazenda do Paraguai, em fotografia de outubro de 2017.Foto: Francarballopy / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O juiz paraguaio Humberto Otazú decretou neste sábado (7) a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. A decisão ocorreu após o Ministério Público apresentar acusação formal por suposta lesão de confiança e administração em benefício próprio no caso Ueno Bank.

Peña permanecerá nas instalações da Escolta Presidencial, segundo a resolução relatada pelo jornal Semana e pela Agência France-Presse. A prisão preventiva é uma cautelar durante o processo. Não representa condenação nem declara culpada a pessoa investigada.

Acusação e prisão têm significados diferentes

O Ministério Público atribui a Peña participação em decisões sobre a colocação e a continuidade de recursos públicos e previdenciários no banco. Segundo a acusação, essas decisões teriam ocorrido enquanto ele mantinha vínculos econômicos anteriores com o grupo controlador da instituição.

A denúncia marca a apresentação formal da acusação. A prisão preventiva, por sua vez, é uma medida decidida pelo juiz durante a apuração. O julgamento sobre os fatos e uma eventual condenação são etapas posteriores, com direito de defesa.

Quatro etapas diferentes marcaram a crise em cinco dias Sequência institucional do caso Ueno Bank, de 3 a 7 de novembro de 2026

Data Etapa
3 de novembro Banco Central assumiu o controle do Ueno Bank
5 de novembro Investigação contra Peña foi aberta formalmente
6 de novembro Senado destituiu Peña, que foi detido temporariamente
7 de novembro MP apresentou acusação, e juiz decretou prisão preventiva

Fonte: Associated Press, g1 e AFP. Elaboração: redação.

A destituição foi uma decisão política do Senado paraguaio. Ela não deve ser confundida com condenação criminal. A detenção temporária de sexta-feira também era juridicamente distinta da prisão preventiva decretada neste sábado.

A crise atingiu poupança e serviços públicos

O Ueno Bank tinha mais de 3 milhões de clientes, segundo levantamento da Associated Press. O bloqueio de contas atingiu correntistas, aposentados e trabalhadores. O Ministério do Trabalho paraguaio estimou cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos afetados no banco e em negócios relacionados.

Em outubro, o banco informava aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, cerca de um quarto do total. Esse grupo incluía recursos do fundo estatal de previdência e saúde e das operadoras das hidrelétricas do país. Os números mostram por que a crise financeira alcançou serviços e rendas da população.

O Congresso aprovou regra para o fundo de garantia pagar correntistas em cinco dias úteis. A cobertura de até cerca de US$ 36 mil por cliente deveria bastar para saldar integralmente as contas de 97% dos clientes, segundo o Banco Central. A garantia protege depositantes, mas não responde às acusações contra dirigentes e autoridades.

Garantia cobre a maioria, mas a crise tem alcance social Dados disponíveis sobre clientes, recursos e empregos ligados ao Ueno Bank

Indicador Valor informado
Clientes do banco Mais de 3 milhões
Depósitos públicos em outubro Cerca de US$ 800 milhões
Clientes com saldo totalmente coberto Estimativa de 97%
Empregos diretos e indiretos afetados Cerca de 7 mil

Fonte: Associated Press, com dados do Banco Central e do Ministério do Trabalho do Paraguai. Elaboração: redação.

A defesa terá de ser ouvida no processo

Peña foi acionista do grupo controlador até 2025. Esse vínculo é um elemento da investigação, não uma prova automática dos crimes atribuídos. A acusação precisará demonstrar as condutas e sua relação com as irregularidades no banco.

O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também foi acusado. No caso dele, o MP inclui suspeita de falsificação de documentos públicos. A promotoria pediu prisão preventiva e medidas sobre bens dos dois investigados.

O que diz Peña: Antes da acusação, o ex-presidente afirmou em publicação no X que cooperaria com os investigadores e agiria “com responsabilidade e respeito à Constituição”, qualquer que fosse o resultado do processo. Em vídeo anterior, pediu desculpas se tivesse falhado, sem admitir responsabilidade pela crise, segundo a Associated Press.

A prisão preventiva mantém o caso sob acompanhamento judicial, mas não encerra a apuração. O próximo ponto será a defesa contestar a acusação e as cautelares. Para milhões de correntistas, a resposta mais imediata continua sendo a efetiva devolução dos depósitos garantidos.

Como fizemos: Conferimos a decisão deste sábado em AFP, g1 e Semana e os dados da crise na Associated Press, com acesso em 07/11/2026. Separamos destituição, acusação, detenção temporária e prisão preventiva. Os valores em dólares seguem as fontes, sem conversão cambial; não há condenação criminal registrada.

Fontes