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PF prende suspeito e apura tiros em terra Paiter Suruí

Operação Lenha Fria apreendeu equipamentos e inutilizou 14 toras; investigação não é condenação, e os disparos contra fiscais serão apurados.

Txai Suruí usa cocar colorido diante de um globo iluminado durante evento
A ativista Txai Suruí, do povo Paiter Suruí, fotografada em 11 de novembro de 2021; a imagem não registra a operação.Foto: Ana Pessoa / Mídia Ninja / CopCollab25 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Polícia Federal (PF) divulgou neste sábado (7) uma operação contra a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Sete de Setembro. A ação de sexta-feira (6) terminou com uma pessoa presa em flagrante e uma equipe de fiscalização alvo de disparos.

A terra abrange Cacoal, em Rondônia, e Rondolândia, no Mato Grosso. Ela é tradicionalmente ocupada pelo povo Paiter Suruí. A operação reuniu PF, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

O que foi encontrado na operação

Segundo a PF, o suspeito explorava ilegalmente floresta em terra de domínio público. Os agentes apreenderam uma motosserra, dois celulares e uma antena de internet via satélite. O nome da pessoa presa não foi divulgado.

O Ibama inutilizou um trator e duas motocicletas usados na logística da extração. Também inutilizou 14 toras de madeira, cortadas para executar a medida. Essas ações ambientais não devem ser confundidas com uma pena criminal.

Operação reuniu prisão, apreensões e medidas ambientais Resultados informados pela Polícia Federal em 7 de novembro de 2026

Item Resultado informado
Pessoas presas em flagrante 1
Toras de madeira inutilizadas 14
Trator e motocicletas inutilizados 3 veículos
Motosserra, celulares e antena apreendidos 4 objetos
Agentes feridos nos disparos 0

Fonte: Polícia Federal. Elaboração: redação.

A tabela reúne resultados de naturezas diferentes. A prisão está sob apuração criminal. Já a inutilização de veículos e madeira foi executada pelo Ibama durante a fiscalização.

Disparos serão investigados separadamente

Ao deixar o território, a equipe encontrou a estrada bloqueada por árvores derrubadas. A PF informou que os agentes foram alvo de disparos de arma de fogo. Ninguém ficou ferido.

A corporação afirmou que apurará a agressão contra os fiscais. O comunicado não identifica autores nem estabelece vínculo entre a pessoa presa e os tiros. Por isso, essa associação não pode ser feita.

O suspeito foi autuado pelo crime previsto no artigo 50-A da Lei de Crimes Ambientais. O dispositivo trata de desmatar ou explorar economicamente floresta pública sem autorização. A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão e multa.

Esse é o limite legal abstrato, não uma sentença aplicada ao caso. Prisão em flagrante registra a suspeita no momento da ocorrência. Uma eventual acusação formal depende de denúncia do Ministério Público Federal, e a condição de réu exige recebimento pela Justiça.

O que diz a PF: A corporação informa que a Operação Lenha Fria combateu a extração ilegal e resultou em uma prisão. Também afirma que investigará os disparos contra a equipe, sem atribuir sua autoria no comunicado oficial.

Proteção territorial é dever da União

A Constituição reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras tradicionalmente ocupadas. O artigo 231 atribui à União o dever de demarcar, proteger e fazer respeitar esses bens.

A atuação conjunta mostra três frentes desse dever. A PF apura possíveis crimes, o Ibama executa a fiscalização ambiental e a Funai atua na proteção indígena. A presença dos três órgãos não elimina o direito de defesa do investigado.

Terra de domínio público não é área livre para exploração. Nesse território, a propriedade da União convive com os direitos originários dos Paiter Suruí. A retirada de madeira depende de autorização do órgão competente, conforme destacou a PF.

A investigação precisará reunir provas sobre autoria, materialidade e ausência de autorização. Os objetos apreendidos integram esse trabalho, mas seu conteúdo não foi detalhado. A divulgação inicial também não permite medir o dano ambiental em hectares ou volume de madeira.

Os próximos registros deverão esclarecer a situação judicial da pessoa presa e a autoria dos disparos. Também será necessário acompanhar as provas sobre a extração. Até decisão judicial definitiva, vale a presunção de inocência.

Como fizemos: Consultamos o comunicado da PF publicado em 07/11/2026, a Lei 9.605/1998 e o artigo 231 da Constituição. Agrupamos os números da operação sem somar objetos e veículos como se fossem uma única medida. A fonte não informa o volume de madeira, a extensão desmatada nem o nome do suspeito.

Fontes