PF reúne provas sobre ameaças racistas contra Talíria Petrone
Operação Mahin cumpre busca em Teresópolis e investiga crimes contra a deputada e familiares; suspeito identificado já estava preso por outro caso.

A Polícia Federal (PF) cumpriu na terça-feira (3) um mandado de busca e apreensão em Teresópolis, no Rio de Janeiro. A Operação Mahin investiga ameaças e ataques racistas contra a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) e também apura crimes contra familiares da parlamentar.
Segundo a PF, as mensagens eletrônicas investigadas continham ameaças de morte, ofensas racistas e misóginas e divulgação não autorizada de dados pessoais. A investigação começou em agosto. Um suspeito foi identificado e já estava preso em Teresópolis por suspeita de envolvimento em outro crime.
A busca reúne elementos, mas não encerra a apuração
O mandado foi expedido pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Busca e apreensão é uma medida autorizada pelo Judiciário para localizar materiais úteis à investigação. Não representa denúncia, condenação ou reconhecimento de culpa.
A PF informou que as diligências buscam novos elementos sobre as circunstâncias dos fatos. Também investiga ameaça, injúria racial, racismo e violência política praticados pela internet. Essas são as hipóteses em apuração, não crimes já comprovados em julgamento.
A identificação de um suspeito permite aprofundar a apuração, mas não transforma o caso em processo concluído. A polícia reúne evidências; o Ministério Público decide se apresenta denúncia; a Justiça avalia se abre uma ação penal.
Cada etapa atribui uma consequência diferente Situação informada pela PF e significado no devido processo
| Informação divulgada | O que significa |
|---|---|
| Investigação iniciada em agosto | Polícia reúne elementos sobre os fatos |
| Mandado cumprido em Teresópolis | Justiça autorizou busca de materiais |
| Suspeito identificado | Há pessoa investigada, sem denúncia anunciada |
| Prisão por outro caso | Custódia não decorre desta investigação |
Fonte: Polícia Federal, conforme informações publicadas pela Agência Brasil. Elaboração: redação.
Exposição de dados amplia o risco para a família
A divulgação de dados pessoais aparece entre os fatos investigados. Quando endereços ou rotinas são expostos junto de ameaças, o risco deixa de ser apenas uma ofensa on-line e pode alcançar pessoas próximas da autoridade pública.
Em agosto, a CNN Brasil noticiou que mensagens dirigidas à deputada citavam seus filhos e dados pessoais. A reportagem também registrou ameaças de morte e estupro. Esse histórico explica por que a apuração inclui familiares, além da própria parlamentar.
A investigação não deve ser confundida com discordância política. Criticar votos, propostas e atuação pública é exercício de liberdade de expressão. A PF apura condutas específicas: ameaças, ofensas racistas e exposição não autorizada de informações.
Violência política restringe a participação democrática
Em nota, Talíria afirmou que a intimidação não pode ser usada para silenciar mulheres, principalmente negras e de esquerda. Ela pediu continuidade das investigações e responsabilização dos envolvidos, com o devido processo.
“A violência política, o racismo e as ameaças não podem ser tratados como parte da rotina de quem exerce um mandato público”, escreveu a deputada. A declaração está na nota reproduzida pela Agência Brasil.
O problema ultrapassa a segurança individual. Ameaças contra um mandato eleito também atingem eleitores representados por ele. Investigar com provas e sem antecipar culpa protege tanto a parlamentar quanto a legitimidade da resposta estatal.
O que diz Talíria Petrone: Em nota divulgada após a operação, a deputada pediu identificação e punição dos responsáveis e defendeu resposta estatal à violência política de gênero. Ela afirmou que sua presença e a de outras mulheres na política fortalecem a democracia.
A PF ainda não anunciou indiciamento ou denúncia neste caso. Os próximos passos dependem do material apreendido e das demais diligências. A presunção de inocência vale para o suspeito, sem diminuir a gravidade das ameaças relatadas pela deputada.
Como fizemos: Consultamos a cobertura da Agência Brasil sobre a operação e a reportagem da CNN Brasil sobre as mensagens de agosto, acessadas em 06/11/2026. Diferenciamos investigação, busca autorizada, prisão por outro caso e eventual denúncia. Não reproduzimos dados pessoais nem o conteúdo integral das ameaças.
Fontes
- PF apura ameaças e ataques racistas contra deputada Talíria Petrone — Agência Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Talíria Petrone denuncia novas ameaças de morte e de estupro — CNN Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Foto: Talíria Petrone em audiência no Senado — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 06/11/2026)
