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PF reúne provas sobre ameaças racistas contra Talíria Petrone

Operação Mahin cumpre busca em Teresópolis e investiga crimes contra a deputada e familiares; suspeito identificado já estava preso por outro caso.

Talíria Petrone fala ao microfone durante audiência sobre violência política contra mulheres
Talíria Petrone em audiência sobre violência política contra mulheres, no Senado, em março de 2020.Foto: Jane de Araújo / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Polícia Federal (PF) cumpriu na terça-feira (3) um mandado de busca e apreensão em Teresópolis, no Rio de Janeiro. A Operação Mahin investiga ameaças e ataques racistas contra a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) e também apura crimes contra familiares da parlamentar.

Segundo a PF, as mensagens eletrônicas investigadas continham ameaças de morte, ofensas racistas e misóginas e divulgação não autorizada de dados pessoais. A investigação começou em agosto. Um suspeito foi identificado e já estava preso em Teresópolis por suspeita de envolvimento em outro crime.

A busca reúne elementos, mas não encerra a apuração

O mandado foi expedido pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Busca e apreensão é uma medida autorizada pelo Judiciário para localizar materiais úteis à investigação. Não representa denúncia, condenação ou reconhecimento de culpa.

A PF informou que as diligências buscam novos elementos sobre as circunstâncias dos fatos. Também investiga ameaça, injúria racial, racismo e violência política praticados pela internet. Essas são as hipóteses em apuração, não crimes já comprovados em julgamento.

A identificação de um suspeito permite aprofundar a apuração, mas não transforma o caso em processo concluído. A polícia reúne evidências; o Ministério Público decide se apresenta denúncia; a Justiça avalia se abre uma ação penal.

Cada etapa atribui uma consequência diferente Situação informada pela PF e significado no devido processo

Informação divulgada O que significa
Investigação iniciada em agosto Polícia reúne elementos sobre os fatos
Mandado cumprido em Teresópolis Justiça autorizou busca de materiais
Suspeito identificado Há pessoa investigada, sem denúncia anunciada
Prisão por outro caso Custódia não decorre desta investigação

Fonte: Polícia Federal, conforme informações publicadas pela Agência Brasil. Elaboração: redação.

Exposição de dados amplia o risco para a família

A divulgação de dados pessoais aparece entre os fatos investigados. Quando endereços ou rotinas são expostos junto de ameaças, o risco deixa de ser apenas uma ofensa on-line e pode alcançar pessoas próximas da autoridade pública.

Em agosto, a CNN Brasil noticiou que mensagens dirigidas à deputada citavam seus filhos e dados pessoais. A reportagem também registrou ameaças de morte e estupro. Esse histórico explica por que a apuração inclui familiares, além da própria parlamentar.

A investigação não deve ser confundida com discordância política. Criticar votos, propostas e atuação pública é exercício de liberdade de expressão. A PF apura condutas específicas: ameaças, ofensas racistas e exposição não autorizada de informações.

Violência política restringe a participação democrática

Em nota, Talíria afirmou que a intimidação não pode ser usada para silenciar mulheres, principalmente negras e de esquerda. Ela pediu continuidade das investigações e responsabilização dos envolvidos, com o devido processo.

“A violência política, o racismo e as ameaças não podem ser tratados como parte da rotina de quem exerce um mandato público”, escreveu a deputada. A declaração está na nota reproduzida pela Agência Brasil.

O problema ultrapassa a segurança individual. Ameaças contra um mandato eleito também atingem eleitores representados por ele. Investigar com provas e sem antecipar culpa protege tanto a parlamentar quanto a legitimidade da resposta estatal.

O que diz Talíria Petrone: Em nota divulgada após a operação, a deputada pediu identificação e punição dos responsáveis e defendeu resposta estatal à violência política de gênero. Ela afirmou que sua presença e a de outras mulheres na política fortalecem a democracia.

A PF ainda não anunciou indiciamento ou denúncia neste caso. Os próximos passos dependem do material apreendido e das demais diligências. A presunção de inocência vale para o suspeito, sem diminuir a gravidade das ameaças relatadas pela deputada.

Como fizemos: Consultamos a cobertura da Agência Brasil sobre a operação e a reportagem da CNN Brasil sobre as mensagens de agosto, acessadas em 06/11/2026. Diferenciamos investigação, busca autorizada, prisão por outro caso e eventual denúncia. Não reproduzimos dados pessoais nem o conteúdo integral das ameaças.

Fontes