Clubes somam perdas e pedem transição para proibição das bets
Flamengo e Fluminense citam impacto combinado de R$ 630 milhões; governo defende a MP 1.394/2026 por danos à renda, à saúde e às famílias.

Flamengo e Fluminense informaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) impactos que somam R$ 630 milhões com a proibição das apostas de quota fixa, as bets. Os valores foram apresentados em audiência pública na terça-feira (3), conduzida pelo ministro Luiz Fux.
O Flamengo estimou perda anual de cerca de R$ 430 milhões. O Fluminense citou impacto de R$ 200 milhões. A soma é um cálculo da redação e descreve apenas os dois clubes, sem incluir outras equipes, atletas, emissoras ou empresas.
Clubes pedem tempo para substituir receitas
Os representantes defenderam contratos assinados quando a atividade era regulamentada. O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, afirmou que o clube estruturou suas finanças com base nesses acordos. Ele pediu respeito à segurança jurídica e à livre iniciativa.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, disse que o efeito alcança patrocínios e direitos de transmissão. Segundo ele, empresas de apostas também compravam publicidade das emissoras. Ele comparou os dez dias de adaptação no Brasil a transições mais longas em outros mercados.
Botafogo e Cruzeiro ligaram as receitas a compromissos financeiros e ao futebol feminino. O Botafogo destacou que seu plano de recuperação judicial considerava o patrocínio master. O Cruzeiro defendeu regulamentação e fiscalização, em vez da proibição.
Os dois maiores valores citados somam R$ 630 milhões Impactos apresentados por clubes na audiência do STF de 3 de novembro
| Clube | Valor informado | Principal argumento |
|---|---|---|
| Flamengo | R$ 430 milhões por ano | Contratos orientaram o planejamento financeiro |
| Fluminense | R$ 200 milhões | Patrocínio e transmissão perdem receita |
| Total dos dois clubes | R$ 630 milhões | Soma da redação, sem projetar outros times |
Fonte: STF e Agência Brasil. Elaboração: redação.
Atletas temem efeito desigual entre equipes
A Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) pediu atenção aos jogadores. A entidade destacou que atletas têm direito a parte dos valores dos contratos, conforme a legislação citada na audiência.
A preocupação é maior nos clubes pequenos, com menos acesso a outras fontes de patrocínio. A federação também alertou que um mercado clandestino pode aproximar atletas de manipuladores de resultados. Esse é o argumento da entidade, ainda sem julgamento pelo STF.
São Paulo e Corinthians defenderam modulação dos efeitos da medida. Isso significa que o tribunal poderia definir como e a partir de quando uma decisão produziria consequências. Nenhum resultado havia sido anunciado na audiência.
Governo apresenta a proibição como proteção social
O Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União sustentaram que a regulamentação anterior não impediu danos à saúde, à renda e às famílias. O ministro Wellington César Lima e Silva citou endividamento, transtornos relacionados ao jogo e atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026. Segundo ele, a proibição protege a dignidade e o orçamento doméstico. O governo também relacionou a interrupção das apostas ao retorno de recursos para compras essenciais.
A discussão não opõe apenas saúde pública e faturamento. Também envolve contratos, empregos e a capacidade de fiscalização estatal. A audiência reuniu esses argumentos, mas não comprovou que uma transição eliminaria os danos apresentados pelo governo.
O que diz o governo: O Ministério da Justiça afirmou que a regulação foi insuficiente diante dos danos sociais. A Advocacia-Geral da União defendeu a MP 1.394/2026 como proteção à saúde, à renda e à dignidade das famílias, em posições publicadas pelo STF.
As ações diretas de inconstitucionalidade, instrumentos usados para questionar leis perante o STF, continuam em análise. O tribunal terá de examinar tanto a proibição quanto os pedidos de transição. Até lá, os valores divulgados pelos clubes são alegações das partes, não perdas certificadas pela Justiça.
Como fizemos: Consultamos as sínteses da audiência publicadas pelo STF e pela Agência Brasil em 06/11/2026. Somamos os valores atribuídos ao Flamengo e ao Fluminense, sem tratá-los como perda nacional nem usar períodos como se fossem equivalentes. Não encontramos auditoria independente dos contratos nas fontes examinadas.
Fontes
- Proibição das bets: governo defende medida, e setor esportivo alerta para prejuízos — STF (acesso em 06/11/2026)
- Clubes de futebol criticam fim das bets; governo ressalta danos — Agência Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Foto: fachada do STF — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 06/11/2026)
