Meta e X seguem ordem do TSE sobre impulsionamento até domingo
Decisão do TSE proíbe Meta e X de impulsionar posts de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal até a votação, sob multa de R$ 500 mil por dia.

Até as 23h59 deste domingo (25), a Meta e a rede X não podem impulsionar publicações de Nikolas Ferreira e de Pablo Marçal. Impulsionar é pagar para que um post chegue a mais pessoas. A ordem foi assinada na segunda-feira (19) pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Se descumprir, cada plataforma paga multa de R$ 500 mil por dia. A decisão também proíbe tratamento privilegiado para as contas dos dois na distribuição de propaganda eleitoral. Segundo o ministro, aceitar a ação e conceder a liminar, uma decisão provisória, não significa que as irregularidades estejam comprovadas.
A ordem faz parte de uma disputa maior. As duas campanhas presidenciais acusam a Meta de tratar de forma desigual Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. A campanha de Lula diz que a empresa limitou posts favoráveis ao petista. A de Flávio disse ao TSE, em 16 de outubro, que a Meta foi negligente ao deixar veicular anúncios pagos negativos contra ele.
Regras e promessas antes da votação
As regras vêm da Resolução 463/2026, norma do TSE aprovada em julho. Ela exige que plataformas com mais de 5 milhões de usuários ativos por mês no Brasil adotem medidas contra riscos à integridade das eleições. Entre elas estão regras para anúncios políticos e uma biblioteca de anúncios.
Em 17 de agosto, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, disse a embaixadores que as plataformas se comprometeram a enviar representantes a uma sala de crise no tribunal. A cobertura vale para as duas votações e para os fins de semana delas. Segundo ele, “Nos planos apresentados, constam as medidas, os procedimentos e os mecanismos que serão adotados”.
Prazo curto e multa alta
Em 18 de outubro, segundo o Estadão, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a Meta provar que cumpre as ordens do tribunal. Sem a prova, a multa diária poderia subir de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.
Para o ministro, a empresa não pode mudar prazos por conta própria. Ele escreveu: “A substituição unilateral dos prazos fixados pelo juízo equivale a descumprimento”.
Dinheiro dos anúncios e resposta da Meta
A Meta é dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. Um levantamento da rádio Itatiaia diz que a empresa recebeu mais de R$ 7 milhões para impulsionar posts de Flávio Bolsonaro e mais de R$ 2 milhões para posts de Lula. O texto não cita base oficial.
Em 20 de outubro, a empresa informou ao TSE que adotou medidas para dar tratamento igual às duas campanhas. Ela diz que pretende cumprir a decisão, mas pode pedir “revisões pontuais” de alguns pontos. Restrições automáticas a anúncios dos candidatos passam por análise humana em até duas horas, até 25 de outubro.
Outras plataformas vetam anúncios políticos. O Google afirma que “Desde 2024, o Google Ads não permite a veiculação de anúncios políticos no país”. O TikTok “proíbe anúncios políticos”, segundo plano apresentado no fim de julho.
O que diz a Meta: em manifestação ao TSE, a empresa afirmou que adotou medidas para dar tratamento igual às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e que pretende cumprir a decisão. Pode pedir revisões pontuais de alguns pontos. Fonte: O Liberal, com informações do Estadão, em 20/10/2026.
O que fica em aberto
Até a publicação, não localizamos balanço oficial do TSE sobre remoções de conteúdo no segundo turno. A ordem sobre Nikolas e Marçal termina às 23h59 deste domingo. Segundo o Correio da Manhã, a decisão ainda será levada ao plenário do TSE, e os investigados têm cinco dias para apresentar defesa.
O que segue em aberto é a análise do pedido de revisão da Meta e o julgamento do mérito da ação. Até lá, a ordem não significa que as irregularidades foram provadas.
Como fizemos: Usamos reportagens publicadas entre maio e outubro de 2026 (Diario de Pernambuco, DPL News, Poder360, O Povo, Correio da Manhã, Congresso em Foco, O Liberal e Itatiaia), acessadas em 25/10/2026. A página da decisão no site do TSE não abriu na checagem, então os detalhes vêm das reportagens. Os valores de impulsionamento são de levantamento da Itatiaia, não de dados oficiais. Não enviamos perguntas à Meta: a posição citada vem da manifestação ao TSE.
Fontes
- TSE dá 24 horas para Meta comprovar cumprimento de decisão eleitoral — Correio da Manhã, 19/10/2026 (acesso em 25/10/2026)
- TSE barra impulsionamento de Nikolas e Marçal e ameaça plataformas com multa de R$ 500 mil — Correio da Manhã, 20/10/2026 (acesso em 25/10/2026)
- TSE proíbe Nikolas e Marçal de republicar conteúdos vetados — Congresso em Foco, 19/10/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Meta afirma ao TSE que adotou medidas para garantir igualdade entre campanhas de Lula e Flávio — O Liberal, 20/10/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Nunes Marques diz a diplomatas que plataformas digitais se comprometeram a participar de sala de situação — Diario de Pernambuco, 17/08/2026 (acesso em 25/10/2026)
- TSE terá uma sala de crise com plataformas digitais durante as eleições — DPL News, 18/08/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Google veta impulsionamento eleitoral nas eleições de 2026 — Poder360, 31/05/2026 (acesso em 25/10/2026)
- TikTok apresenta plano contra a desinformação nas eleições — O Povo, 03/08/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Criticada por Lula e Flávio, Meta recebeu quase R$ 10 milhões das campanhas — Itatiaia, 19/10/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Foto: Tribunal Superior Eleitoral in 04-09-2025 — Wikimedia Commons (domínio público) (acesso em 25/10/2026)
