Flávio e aliados questionam a eleição sem provas; TSE rebate
Após o 2º turno, Flávio Bolsonaro anunciou pedido de anulação, e aliados do PL falam em fraude. Aos Fatos e o TSE contestam os argumentos.

Na noite de domingo (25), Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado do segundo turno. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto, vamos pedir a anulação”, afirmou. Lula venceu por cerca de 4,4 milhões de votos, segundo o Aos Fatos.
Flávio apresentou dois argumentos. O primeiro é a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu a votação até as 19h nas seções ainda não encerradas. O segundo é a suposta retirada de fiscais do PL da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), espaço de segurança da Justiça Eleitoral.
Quem repete a acusação
A extensão foi pedida pela campanha de Lula, segundo a CartaCapital. A campanha de Flávio também havia pedido mais tempo em alguns municípios, segundo a Gazeta do Povo.
Flávio não está sozinho. Rogério Marinho, coordenador da campanha dele, escreveu: “Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere”. Chicana é um truque jurídico para atrasar um processo.
Eduardo Bolsonaro foi mais longe. Em vídeo em inglês publicado na madrugada de 26 de outubro, disse: “Ela foi claramente fraudulenta”. Pediu a quem está no exterior que “não reconheçam estas eleições”. Segundo a CartaCapital, ele não apresentou provas de adulteração de votos.
O que diz Flávio Bolsonaro: em discurso na noite de domingo (25), disse ser “impossível” reconhecer a derrota e que vai pedir a anulação, segundo o Poder360. Afirmou também que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre, o que o TSE nega.
Onde a narrativa circula
A Agência Pública analisou 60 canais do aplicativo de mensagens Telegram, com 891 mil inscritos. Encontrou 418 publicações que questionam as urnas. Em 58 dos 60 canais, as mensagens apoiam Flávio. Apenas uma publicação trazia rótulo de alerta, e era de 2024.
A Pública não explica como escolheu os canais. O Telegram não comentou diretamente.
A narrativa é anterior ao segundo turno. Em julho, Flávio disse a diplomatas que as urnas “têm a mesma origem” da empresa venezuelana Smartmatic, segundo a Lupa. Lupa e TSE classificam a fala como falsa. A empresa só teve contratos de dados e voz com o TSE.
O que as checagens encontraram
O Aos Fatos classificou a fala de Flávio como mentira. O site lembra que a própria campanha do PL pediu prorrogação da votação em cidades de vários estados.
Sobre a sala-cofre, o TSE respondeu: “A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”, segundo a Agência Brasil. Os fiscais do PL estiveram em outras salas do prédio, segundo o tribunal.
Registros das urnas citados pelo Aos Fatos mostram cerca de 35 mil votos após as 17h, contra uma diferença de 4,4 milhões. O presidente do TSE, Nunes Marques, disse que a extensão “não provocou alteração na eleição”, segundo a Gazeta do Povo.
Plataformas e a Justiça Eleitoral
Em 10 de outubro, Nunes Marques atendeu a pedido do Ministério Público Eleitoral. Ele mandou Instagram, Threads e X removerem posts que atribuíam falsamente fraude nas urnas a servidores e ex-ministros do tribunal. A multa é de R$ 100 mil por hora. As plataformas também devem tirar conteúdos idênticos “sem a necessidade de novas decisões judiciais”, segundo o MPF.
A regra geral vem do Marco Civil da Internet. Em junho de 2025, o STF decidiu que uma plataforma pode responder por conteúdo ilícito se não remover após notificação extrajudicial. Crimes contra a honra, como calúnia, ainda exigem ordem judicial, segundo a Demarest.
O que está em aberto
Juristas ouvidos pela Gazeta do Povo esperam disputa na Justiça e consideram a anulação improvável. O constitucionalista Alessandro Chiarottino disse: “O direito de recorrer não significa que as alegações estejam comprovadas ou que o resultado deva ser anulado.”
Os registros publicados até agora não mostram fraude capaz de mudar o resultado. A narrativa, porém, circula em canais de Telegram e em vídeos de políticos.
Como fizemos: Reunimos reportagens e checagens publicadas entre 24 e 26 de outubro de 2026 (Aos Fatos, Agência Brasil, CartaCapital, Gazeta do Povo e Poder360), além de levantamentos da Agência Pública (24/10/2026), da Lupa (24/07/2026) e comunicado do MPF (13/10/2026), acessados em 26/10/2026. Não fizemos cálculos próprios. Os dados de alcance são estimativas de terceiros, e o levantamento do Telegram cobre o período antes do segundo turno.
Fontes
- Derrotado, Flávio mente ao sugerir que eleição foi fraudada — Aos Fatos
- Diferença entre votos para senadores do PL e Flávio não indica fraude — Aos Fatos
- Flávio não aceita derrota e diz que pedirá a anulação do resultado — Poder360
- TSE nega acusação de Flávio sobre expulsão de fiscais de sala-cofre — Agência Brasil
- PT defende decisão de Zanin sobre extensão da votação; aliados de Flávio falam em fraude — CartaCapital
- Eduardo Bolsonaro chama eleição de fraudulenta e pede pressão contra vitória de Lula — CartaCapital
- Contestações legítimas apontam que eleição não acabou em 25 de outubro — Gazeta do Povo
- Às vésperas do 2º turno, canais no Telegram espalham fake news sobre segurança de urnas — Agência Pública
- Ataques de Flávio Bolsonaro às urnas geram pico de menções a fraude eleitoral em redes — Lupa
- A pedido do MP Eleitoral, TSE determina remoção de publicações falsas sobre sistema de apuração — Ministério Público Federal
- STF redefine os limites da responsabilidade das plataformas digitais — Demarest
- Urna eletrônica brasileira UE2020 — Wikimedia Commons (acesso em 26/10/2026)
