Ataques a jornalistas sobem 62% no início do 2º turno, aponta CDJor
Levantamento da CDJor contou 6.901 ataques a jornalistas no X e no Instagram entre 5 e 17 de outubro, média de 531 por dia.

Entre 5 e 17 de outubro, a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) contou 6.901 ataques a jornalistas e veículos nas redes sociais. A média ficou em cerca de 531 por dia. Segundo o boletim, isso é 62,4% acima do ritmo da última etapa do primeiro turno.
O boletim foi publicado em 23 de outubro, dois dias antes da votação do segundo turno, marcada para este domingo (25). O total do período ainda não está fechado. O monitoramento segue até o fim da eleição.
A CDJor reúne entidades de imprensa, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O levantamento é feito com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Ele conta postagens no X, antigo Twitter, e no Instagram que atacam jornalistas e veículos.
No primeiro turno, a mesma coalizão registrou 14.182 ataques entre 16 de agosto e 4 de outubro. Na reta final, a média chegou a 327 por dia. É essa a base de comparação do aumento de 62,4%.
Ataques concentrados na disputa presidencial
O boletim classificou 4.949 dos 6.901 ataques por cargo em disputa. Desses, 4.858 (98,2%) falavam da eleição presidencial. Só 91 (1,8%) se referiam a disputas estaduais.
O Instagram concentrou 4.307 registros, e o X, 2.594. Foram atingidos 142 jornalistas e 152 veículos. Mulheres foram alvo de 56,4% dos ataques individuais no X e de 58,1% no Instagram.
A CDJor também mediu a toxicidade das mensagens com a Perspective API, uma ferramenta automática que estima o quanto um texto pode ser lido como ofensivo. Segundo o boletim, a média ficou em 36,6% no X e 22,2% no Instagram. No período anterior, foram 36,9% e 23,4%. A linguagem ficou um pouco menos agressiva, mas o volume de ataques subiu.
Agressões presenciais também aparecem
Os números da CDJor medem postagens online. Casos presenciais chegam às entidades por outros canais. Em 13 de outubro, uma equipe da TV Jovem Pan foi hostilizada no Largo da Batata, em São Paulo, durante um ato pró-Lula. Segundo a Abraji, o repórter e o cinegrafista foram atingidos por pedras de gelo e garrafas plásticas.
Em nota de 14 de outubro, a Abraji afirmou: “É inadmissível que os jornalistas sejam desrespeitados, ameaçados e silenciados no exercício da profissão.”
Em Belém, dois repórteres do Portal Cidade 091 disseram ter sido agredidos ao apurar a recusa de transporte gratuito a eleitores. O relato é da Revista Fórum. A Polícia Civil do Pará informou que o caso é investigado pela Delegacia do Jurunas. Segundo a reportagem, a empresa Navegação Bom Jesus disse respeitar a liberdade de imprensa. Ela não respondeu especificamente às acusações de agressão física.
O que diz a CDJor: a coalizão publica os dados em boletins e diz que fará relatórios analíticos ao fim do primeiro e do segundo turnos, segundo a página do monitoramento. A redação não enviou perguntas à coalizão para esta versão, e o texto não traz resposta.
O que vem depois
O total do segundo turno só sai depois da votação. Os dados atuais cobrem o início da reta final, não o dia 25. Mesmo assim, mostram que a pressão sobre jornalistas cresceu e se concentrou na disputa presidencial.
Quem cobre a votação de domingo trabalha, portanto, com mais ataques por dia do que na reta final do primeiro turno. Os casos presenciais ainda precisam ser contados à parte.
Como fizemos: Usamos o boletim da CDJor com o Labic-UFES, publicado em 23/10/2026, sobre ataques de 5 a 17 de outubro, e o balanço do primeiro turno, de 16/08 a 04/10, republicado pela Agência Brasil. Os dados foram acessados em 25/10/2026. A média de 531 por dia é nosso cálculo: 6.901 ataques divididos por 13 dias. O aumento de 62,4% é do próprio boletim, sobre a média de 327 por dia. São contagens de publicações no X e no Instagram, sem correção pela inflação. Não medem agressões presenciais nem o dia da votação.
Fontes
- Ataques à imprensa aumentam 62,4% no início do segundo turno das eleições de 2026 — Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) (acesso em 25/10/2026)
- Monitoramento de ataques à imprensa 2026 — Ajor (acesso em 25/10/2026)
- Coalizão em Defesa do Jornalismo monitora ataques contra profissionais da comunicação nas eleições de 2026 — Abraji (acesso em 25/10/2026)
- Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições — Agência Brasil, republicado pelo Acessa (acesso em 25/10/2026)
- Abraji repudia agressão a jornalistas da Jovem Pan em manifestação em SP — Abraji (acesso em 25/10/2026)
- Jornalistas denunciam agressões ao investigar recusa de transporte gratuito para eleitores no Pará — Revista Fórum (acesso em 25/10/2026)
