Campanha de Flávio pede ao TSE retirar 241 posts de três veículos
Pedido de 22 de outubro quer tirar do ar, em três horas, 241 publicações de DCM, ICL e Brasil Fora da Caverna, sem decisão conhecida do TSE.

Na quinta-feira (22), a campanha de Flávio Bolsonaro (PL, Partido Liberal) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a remoção de 241 publicações de três veículos de imprensa. O pedido quer o conteúdo fora do ar em três horas, caso a Justiça conceda uma decisão provisória (liminar). Os sites citados são o Diário do Centro do Mundo (DCM), o ICL Notícias e o Brasil Fora da Caverna.
No dia seguinte, a mesma campanha levou ao TSE outra ação. Ela pede a cassação, ou seja, a retirada do registro da candidatura do presidente Lula, por suposto uso eleitoral da Rádio Nacional. As duas ações foram protocoladas às vésperas do segundo turno, realizado no domingo (25).
O que a campanha pede
O DCM é o principal alvo. Segundo o ICL Notícias, 206 das 241 publicações são do DCM, cerca de 85% do total. As demais são do Brasil Fora da Caverna e do próprio ICL, um dos veículos citados.
Publicações pedidas para remoção, por veículo Número de publicações citadas no pedido de 22 de outubro de 2026
| Veículo | Publicações |
|---|---|
| DCM | 206 |
| Brasil Fora da Caverna | 18 |
| ICL Notícias | 17 |
Fonte: ICL Notícias, um dos veículos citados. Elaboração: redação.
Além da remoção, o pedido quer que os três sites deixem de divulgar convocações, agendas e transmissões de atos ligados às candidaturas até o fim do segundo turno. Segundo o DCM, a campanha diz ter classificado manchetes com ajuda de inteligência artificial (IA). Pela contagem da campanha, 75,3% das manchetes do DCM que citam Flávio ou sua família são desfavoráveis a ele. Esses números são da campanha, não de decisão judicial.
A própria petição reconhece que “a desfavorabilidade, isoladamente, não seria ilícita”, segundo o DCM. Ou seja, a campanha admite que uma cobertura crítica, sozinha, não é ilegal.
O que o TSE já decidiu em casos parecidos
Em outros processos, o TSE já mandou retirar conteúdo. Em 30 de setembro, a Corte manteve a proibição de publicações que vinculavam Flávio à notícia falsa de que Nossa Senhora Aparecida poderia perder o título de padroeira. Segundo a CNN Brasil, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva propôs limitar as remoções aos conteúdos “notoriamente inverídicos”.
O critério defendido por Cueva é a falsidade do conteúdo, e não o tom da cobertura. Esse é o ponto que separa os dois casos.
A ação sobre a Rádio Nacional
Na sexta-feira (23), a campanha entrou com a segunda ação. Segundo o Estadão Conteúdo, a campanha acusa Lula de uso eleitoral da Rádio Nacional, emissora administrada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O alvo é o programa Alô Alô Brasil, exibido na terça-feira (20).
Entre os exemplos, a petição cita o apresentador Agostinho Luiz Teixeira chamando a escala 6x1 de “uma das vitrines da campanha do presidente Lula à reeleição”. O pedido também quer investigar a presidente da EBC, Antonia Pellegrino. Pede ainda o envio do material ao Ministério Público Eleitoral (MPE), que atua junto à Justiça Eleitoral.
O Estadão Conteúdo não publicou resposta da EBC nem da campanha de Lula.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Segundo o DCM, que cita a petição, a campanha diz ter classificado manchetes com IA e admite que “a desfavorabilidade, isoladamente, não seria ilícita”. Nas reportagens consultadas, não há resposta da campanha ao pedido de remoção.
O que fica em aberto
Até a consulta destas fontes, não encontramos decisão do TSE sobre o pedido das 241 publicações nem sobre a ação contra a Rádio Nacional. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) chamou o pedido de “tentativa inconstitucional de censura prévia”.
A diferença entre conteúdo falso e cobertura desfavorável é o ponto central. A própria petição reconhece que a segunda não é ilícita. O TSE terá de dizer em qual categoria se encaixa cada uma das 241 publicações.
Como fizemos: Usamos reportagens do DCM, do ICL Notícias, do Plantão Brasil e do Estadão Conteúdo, publicadas entre 23 e 24 de outubro de 2026, além de comunicado da Abraji de 23/10/2026 e de reportagem da CNN Brasil sobre decisão de 30/09/2026. Acessamos as fontes em 27/10/2026. Não tivemos acesso à petição nem ao sistema do TSE: os números vêm de veículos que aparecem no pedido, e o ICL Notícias é um deles. O percentual de 85% (206 de 241) é cálculo nosso.
Fontes
- Abraji repudia tentativa de censura da imprensa pela campanha de Flávio Bolsonaro — Abraji (acesso em 27/10/2026)
- Flávio Bolsonaro vai ao TSE para censurar o DCM e intervir na linha editorial — DCM (acesso em 27/10/2026)
- Flávio e Willer Tomaz ampliam ofensiva judicial contra imprensa na reta final da eleição — ICL Notícias (acesso em 27/10/2026)
- Reta final: Flávio Bolsonaro e aliado intensificam ofensiva judicial contra a imprensa — Plantão Brasil (acesso em 27/10/2026)
- Abraji reage a tentativa de censura da campanha de Flávio Bolsonaro contra veículos independentes — Plantão Brasil (acesso em 27/10/2026)
- Flávio pede cassação da chapa de Lula por uso eleitoral de rádio pública — Estadão Conteúdo, no Diário do Nordeste (acesso em 27/10/2026)
- TSE proíbe posts que vinculam Flávio a fake news de Nossa Senhora — CNN Brasil (acesso em 27/10/2026)
