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Flávio processou repórteres do UOL por reportagem sobre imóveis

O UOL mostrou 107 imóveis da família Bolsonaro, ao menos 51 pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo; Flávio processou os repórteres.

Flávio Bolsonaro, de terno escuro e gravata, dá entrevista diante de um microfone da TV Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em entrevista no Senado, em junho de 2025 (foto de arquivo).Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Em agosto de 2022, o UOL publicou que a família Bolsonaro negociou 107 imóveis. Ao menos 51 deles foram pagos, total ou parcialmente, em dinheiro vivo.

Flávio Bolsonaro processou os repórteres por difamação, segundo a Poder360. Uma ordem para apagar as reportagens foi revertida na mesma noite pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dinheiro vivo é pagamento em espécie, sem transferência bancária. Segundo a reportagem, ao menos 25 desses imóveis estão nas investigações sobre a rachadinha. Nesse caso, Flávio foi denunciado em 2020, mas nunca foi julgado. As provas foram anuladas por falhas de procedimento, e a denúncia foi rejeitada em 2022. Anulado não é inocentado.

Os números da reportagem

Quase metade dos 107 imóveis foi paga em dinheiro vivo Imóveis negociados pela família Bolsonaro, levantamento do UOL publicado em agosto de 2022

Dado Valor
Imóveis negociados pela família 107
Imóveis pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo ao menos 51
Imóveis dentro das investigações da rachadinha ao menos 25
Total pago em dinheiro vivo R$ 13,5 milhões
Total corrigido, segundo a reportagem R$ 25,6 milhões

Fonte: UOL, na versão publicada pelo Congresso em Foco. Percentuais e médias: cálculos da redação. Elaboração: redação.

Os números mostram o tamanho do padrão, não a parcela de cada pessoa. Quase metade dos imóveis, 51 de 107 ou 48%, teve pagamento em dinheiro vivo. Em média, cada imóvel pago em espécie somou cerca de R$ 265 mil, ao dividir R$ 13,5 milhões por 51.

Corrigido, segundo a própria reportagem, o total chega a R$ 25,6 milhões, quase o dobro do valor original. Já os imóveis ligados à rachadinha somam ao menos 25, ou cerca de 23% do total de 107.

A parcela de Flávio nessas compras não foi encontrada nas fontes consultadas. Por isso, este texto não atribui a ele nenhum dos 51 imóveis pagos em dinheiro vivo. Até agora, as compras em dinheiro não geraram denúncia contra Flávio, segundo o levantamento de referência.

Ação judicial e ordem revertida

Segundo a Poder360, Flávio processou os repórteres por difamação. Difamação é atribuir a alguém um fato ofensivo à sua reputação. A ordem para tirar as reportagens do ar foi revertida por Mendonça na mesma noite, em setembro de 2022.

Hoje, Mendonça é o ministro que incluiu Flávio como investigado no caso Dark Horse, segundo a Agência Brasil. O caso mostra como uma reportagem sobre patrimônio pode virar disputa judicial. Nas fontes consultadas, não encontramos correção dos números publicados pelo UOL.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele respondeu à reportagem com uma ação por difamação contra os repórteres, segundo a Poder360. Não encontramos manifestação dele sobre a parcela que cabe a cada membro da família nas compras.

Ser alvo de ação por difamação não diz, por si, se a reportagem está certa ou errada. Veículos de checagem também acompanharam Flávio no caso Vorcaro. A Aos Fatos contou pelo menos 43 declarações falsas de Flávio sobre Vorcaro. A Lupa classificou como falsa uma afirmação dele de que os detalhes do contrato e do fundo já tinham sido mostrados.

Outra revelação de jornalistas envolve a Abin. Em dezembro de 2020, a revista Época revelou relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o objetivo de defender Flávio no caso da rachadinha. O advogado dele confirmou a autenticidade dos documentos. A Abin e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negaram ter escrito os relatórios.

O que fica em aberto

Ficam em aberto o resultado da ação por difamação e a parcela de cada integrante da família nas compras em dinheiro vivo. As fontes consultadas não trazem esse valor individual.

O caso mostra que uma reportagem sobre patrimônio de políticos pode terminar em disputa judicial. A eleição para presidente é em 25 de outubro.

Como fizemos: Usamos a reportagem do UOL de agosto de 2022, na versão publicada pelo Congresso em Foco, e o levantamento de referência da redação, de 19 de outubro de 2026. O percentual (51 de 107, ou 48%), a média por imóvel (R$ 13,5 milhões divididos por 51) e o peso dos imóveis da rachadinha (25 de 107, ou 23%) são cálculos nossos. Os valores corrigidos são os da reportagem, sem atualização nossa. A parcela de Flávio não foi encontrada nas fontes.

Fontes