Kassio e Mendonça concentram ações de propaganda no TSE
Kassio e Mendonça dividem as ações de propaganda do TSE com outros juízes; um pedido no STF quer tirá-los dos casos, e o plenário já derrubou uma liminar.

Desde maio de 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, pode ser sorteado relator de ações sobre propaganda eleitoral. O vice-presidente, André Mendonça, entrou na mesma lista. Antes, só a ministra Estela Aranha cuidava do tema.
Quem decide se uma publicação sai do ar durante a campanha passou a depender de poucos juízes. Essa concentração é o centro de um pedido que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Relator é o juiz que conduz um processo. Em casos urgentes, ele pode tomar uma decisão provisória, chamada liminar, antes do julgamento do plenário, que reúne todos os ministros. A regra não se resume a Kassio e Mendonça, pois Estela Aranha continua na lista. Em 8 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze também foi designado para o segundo turno, segundo O Liberal.
Em 27 de setembro, o partido Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, pediu ao STF que o plenário do TSE escolha, em 24 horas, três juízes auxiliares entre os ministros substitutos. Segundo a Gazeta do Povo, o partido diz que a Lei das Eleições prevê que o caso vá a um juiz auxiliar desimpedido quando o prazo vence. Para o partido, isso não funciona quando os auxiliares são ministros efetivos e sobrecarregados.
Quem decidiu o quê
Os casos recentes mostram a disputa. Nas decisões que conferimos, quatro atingiram Lula ou aliados, todas em 8 de outubro. As demais envolveram publicações ligadas a Flávio Bolsonaro. Não encontramos levantamento oficial que some as remoções por lado.
Decisões sobre propaganda citadas nesta reportagem, julho a outubro de 2026 Ordem cronológica; resultado segundo as reportagens citadas
| Data | Caso | Resultado |
|---|---|---|
| Julho | Nunes Marques manda remover vídeo que liga Flávio ao PCC, a pedido do PL | Removido |
| 3 de agosto | Nunes Marques nega remoção de vídeo de Flávio que chama Lula de “defensor do PCC e do Comando Vermelho” | Mantido no ar |
| 14 de agosto | Plenário derruba a negativa, por 5 votos a 2 | Plenário reverte |
| 27 de setembro | Mendonça manda remover posts sobre boato envolvendo Flávio e Nossa Senhora Aparecida | Dino anula; Fux restabelece |
| 8 de outubro | Quatro decisões mandam tirar peças de Lula, Janja, Janones e Lindbergh | Removidas em caráter liminar |
Fonte: JB (Revista Fórum), Diário de Pernambuco, O Liberal, Brasil 247 (Folha) e Correio da Manhã. Elaboração: redação.
O ministro Gilmar Mendes disse a Kassio que ele estava “se investindo no papel de imperador”, segundo a Folha. Kassio nega congestionamento e fala em “volume muito expressivo de demandas”. Dino afirmou, em decisão, que o TSE tinha “mais de uma centena de decisões monocráticas não apreciadas”, segundo o Diário de Pernambuco.
Os números também divergem. Segundo a Folha, 100 representações aguardavam referendo do plenário: 34 liberadas por Kassio, 19 por Mendonça e 53 por Estela Aranha. As três parcelas somam 106, e a reportagem não explica a diferença.
Por que o critério importa
A questão central é o tempo. O partido afirma que “a resposta concedida depois do fim da campanha não repara a ofensa”. Uma decisão que chega tarde pode não reparar nada, e uma decisão rápida sem revisão pode errar.
Nunes Marques defende que a Justiça Eleitoral não deve substituir o debate político. Em decisão de 3 de agosto, segundo a Revista Fórum, ele escreveu: “Não basta que a parte adversa considere a narrativa injusta, exagerada ou politicamente inadequada.” Em julho, porém, ele entendeu que acusar alguém de crime sabidamente falso vai além da crítica legítima, segundo a mesma reportagem.
Em 14 de agosto, por 5 votos a 2, o plenário derrubou a decisão sobre o vídeo de Flávio. Só Mendonça acompanhou o relator, segundo o Diário de Pernambuco. A correção veio onze dias depois da decisão, o que mostra o controle coletivo funcionando, mas não de imediato.
O que diz o TSE: Segundo a Folha, o tribunal afirmou que “não há processos sobre propaganda eleitoral de candidatos à Presidência parados”. A assessoria de Kassio disse que mais ministros foram incumbidos da tarefa “para dar celeridade aos trabalhos”, segundo a CNN Brasil.
O que fica em aberto
Até 24 de outubro, não encontramos decisão de Dino sobre o pedido do Solidariedade. Também não encontramos suspensão da portaria de Kassio. Segundo a Folha, Dino avaliou pedir ao TSE os dados sobre decisões pendentes antes de decidir.
A portaria de outubro manda levar as liminares ao plenário de imediato, e a análise pode ser em sessão virtual, segundo O Liberal. Isso responde em parte à crítica sobre prazo, mas não resolve quem decide primeiro.
O ponto central não depende de quem tem razão em cada caso. Hoje, a remoção de peças de campanha passa por poucos juízes, e a revisão do plenário chega depois. O STF e a velocidade do plenário do TSE vão mostrar se a regra muda antes do fim da campanha.
Como fizemos: Usamos reportagens publicadas de julho a outubro de 2026 por CNN Brasil, Gazeta do Povo, Folha (via Brasil 247), Estado de Minas (via Diário de Pernambuco), O Liberal, Revista Fórum (via JB) e Correio da Manhã, acessadas em 24 de outubro de 2026. Os totais de representações são do TSE, como publicados pela Folha, e não foram recalculados. A tabela lista só os casos que conseguimos conferir, não todas as decisões. Não conseguimos abrir páginas do STF nem do TSE na checagem, e não enviamos perguntas a eles antes desta publicação.
Fontes
- Após mudança de regra, Kassio amplia poder e assume principais ações no TSE — CNN Brasil (acesso em 24/10/2026)
- Paulinho da Força pede que Dino afaste Kassio e Mendonça de ações no TSE — Gazeta do Povo (acesso em 24/10/2026)
- Dino pode afastar Nunes Marques e Mendonça de ações no TSE — Brasil 247, com base na Folha de S.Paulo (acesso em 24/10/2026)
- Dino pode afastar Kassio Nunes de relatorias no TSE — Diário de Pernambuco, com base no Estado de Minas (acesso em 24/10/2026)
- Nunes Marques amplia grupo que fiscaliza propaganda eleitoral no TSE — O Liberal (acesso em 24/10/2026)
- Nunes Marques e Mendonça mandam apagar posts de Lula com críticas a Flávio — O Liberal (acesso em 24/10/2026)
- Nunes Marques barra vídeo que liga Flávio Bolsonaro ao PCC, mas libera associação da facção a Lula — JB, com base na Revista Fórum (acesso em 24/10/2026)
- Plenário do TSE derruba decisão de Nunes Marques a favor de Flávio contra Lula — JB (acesso em 24/10/2026)
- TSE reverte decisão contra Lula e evidencia isolamento de Kassio e Mendonça — Diário de Pernambuco (acesso em 24/10/2026)
- Fux suspende decisão de Dino e retoma remoção de posts — Correio da Manhã (acesso em 24/10/2026)
- Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília — Wikimedia Commons (foto, CC BY-SA 4.0) (acesso em 24/10/2026)
