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Campanha de Flávio propõe dois anos para família deixar o Bolsa Família

Daniella Marques anunciou o prazo na segunda-feira (19); reportagens divergem sobre a regra atual, de 12 a 18 meses.

Mulher sentada ao lado de uma armação com fios brancos, diante de uma casa de paredes verdes, com dois jovens em pé na porta
Família atendida pelo Bolsa Família em Formosa (GO), em abril de 2013, em foto do Ministério do Desenvolvimento Social (arquivo).Foto: Ubirajara Machado / Ministério do Desenvolvimento Social / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Nesta segunda-feira (19), Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (do Partido Liberal, PL), anunciou uma regra de transição para o Bolsa Família. Quem recebe o benefício teria dois anos para conseguir emprego com carteira assinada ou abrir um negócio. Depois, deixaria o programa. Se a tentativa não der certo, a família volta ao programa automaticamente, segundo o Metrópoles e o Correio Braziliense.

O anúncio veio seis dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Em 8 de outubro, Flávio afirmou: “O Bolsa Família é sagrado, ninguém toca”. Ele também prometeu ampliar benefícios, segundo O Tempo. Os dois discursos não combinam bem. Este texto compara o prazo anunciado com as regras citadas nas reportagens.

Hoje, a chamada regra de proteção permite que famílias com renda acima do limite de entrada continuem no programa. Elas recebem 50% do benefício durante a transição. O limite de entrada é de R$ 218 por pessoa, e o teto para permanecer é de R$ 706, segundo o Metrópoles.

Quanto tempo dura a transição

As reportagens não concordam sobre o prazo atual. Pela portaria do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) de maio de 2025, novas famílias com renda do trabalho ficariam até 12 meses. Em outubro de 2026, o Metrópoles cita 18 meses, e quem já estava na regra em maio de 2025 teria até 24. A proposta de dois anos fica acima dos prazos atuais e iguala a regra antiga, como mostra a tabela.

Proposta de dois anos iguala a regra antiga e supera os prazos atuais citados Meses de permanência na transição do Bolsa Família, por regra e fonte, 2025 e 2026

Regra Meses
Novas famílias com renda do trabalho (portaria de 2025) 12
Regra atual, segundo o Metrópoles em outubro de 2026 18
Proposta da campanha, anunciada em 19 de outubro de 2026 24
Regra antiga, para quem estava na regra em maio de 2025 24

Fonte: Metrópoles (15/5/2025 e 19/10/2026); Correio Braziliense (19/10/2026). Elaboração: redação.

Quanto pesa para a família

Segundo o MDS, citado pelo Metrópoles, 19,34 milhões de famílias receberam o Bolsa Família em junho de 2026, com benefício médio de R$ 677,66. Metade desse valor seria cerca de R$ 339 por mês. Esse número é só uma referência, não o valor de quem estaria na transição. As reportagens também não dizem quantas famílias seriam atingidas, nem se o valor cairia durante os dois anos.

A saída pelo negócio próprio combina com outra promessa: crédito da Caixa Econômica Federal. Flávio disse que a Caixa vai ser o “Itaú da favela”, segundo o BPMoney. Crédito, porém, é dívida, e precisa ser paga mesmo quando o negócio não dá certo.

De onde vem a ideia

Em 2011, Flávio foi o único deputado estadual do Rio a votar contra o Renda Melhor, programa de complemento de renda aprovado por 54 votos a 1. Ele afirmou ter apresentado emendas para limitar o benefício a dois anos, segundo o ICL Notícias. O mesmo site relata que Flávio apagou publicações de 2010 a 2013 que ligavam o Bolsa Família à compra de votos; a reportagem não confirmou quando foram apagadas.

A pressão também vem de empresários. Em 13 de outubro, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) entregou a Flávio o “Projeto Brasil de Amanhã”, segundo o ICL Notícias. O plano propõe revisar critérios de entrada e permanência no programa, com cruzamento de bases e visitas domiciliares. Pode levar à exclusão de beneficiários, a depender dos critérios, segundo a Folha de Pernambuco.

A campanha disse que as conversas informais de sua equipe econômica não representam posições oficiais do candidato. Em agosto, Daniella Marques propôs um corte de gastos de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, segundo o InfoMoney. Um vídeo que mostra Flávio anunciando o fim do programa é falso: o Boatos.org identificou uma deepfake, montagem feita com inteligência artificial.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Daniella Marques afirmou, em entrevista à rádio CBN Bahia, que haverá transição de dois anos, com retorno automático se a tentativa der errado, segundo o Metrópoles. Em 8 de outubro, Flávio disse que o Bolsa Família “é sagrado, ninguém toca”, segundo O Tempo. Sobre o plano dos empresários, a campanha disse que conversas informais não são posições oficiais.

O que isso significa

Os números mostram que a proposta alonga o prazo citado para a regra atual, de 12 ou 18 meses para dois anos. Para quem depende do programa, essa diferença é grande.

As reportagens consultadas não dizem quantas famílias seriam atingidas, nem o que conta como sucesso na saída, nem as condições da volta automática. Até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, a campanha ainda pode detalhar a regra.

Como fizemos: Usamos reportagens do Metrópoles, Correio Braziliense, O Tempo, InfoMoney, ICL Notícias, Folha de Pernambuco, BPMoney, Boatos.org e Congresso em Foco, acessadas em 20 de outubro de 2026, e dados de junho de 2026 do MDS divulgados pelo Metrópoles. Os prazos vêm das reportagens: não consultamos o texto oficial da Portaria MDS nº 1.084/2025, e as fontes divergem sobre o prazo atual. A conta de metade do benefício médio (R$ 677,66 ÷ 2) é nossa, não tem correção pela inflação porque não compara valores entre anos, e serve só de referência. Os dados não mostram quantas famílias seriam afetadas pela proposta, nem quanto recebem as famílias na regra de proteção.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Daniella Marques coordenava o programa de governo de Flávio e atribuía ao Metrópoles críticas de aliados ao momento do anúncio. As reportagens consultadas a descrevem como coordenadora da equipe econômica da campanha, e o Metrópoles não traz essas críticas.

Fontes