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Boletim de urna, fiscais e auditorias: como o resultado é certificado

Cada seção imprime seu boletim, fiscais podem pedir cópia e qualquer pessoa pode somar os votos. Veja as etapas que comprovam o resultado.

Urna eletrônica da Justiça Eleitoral com a tela acesa, mostrando o sistema em inicialização
Urna eletrônica da Justiça Eleitoral ligada e em inicialização, em foto de 28 de outubro de 2018.Foto: Vinicius Depizzol / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo (25), Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, segundo a Gazeta do Povo, com 100% das urnas apuradas. Na noite da eleição, Flávio Bolsonaro disse ser impossível reconhecer o resultado. Ele afirmou que vai pedir a anulação e que os fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE, área que o tribunal diz não ser aberta à visitação. O TSE chamou essa afirmação de falsa.

Para saber se um resultado é verdadeiro, não basta confiar em discurso. É preciso conhecer as etapas que o comprovam. São quatro: o boletim de urna, a fiscalização dos partidos, os testes e a totalização.

O boletim de urna é o primeiro registro

Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim de urna (BU). É um papel com o resultado daquela seção. Seção é a sala onde o eleitor vota. O BU traz os nomes e os números dos candidatos votados naquela urna, segundo o artigo 68 da Lei 9.504/97.

Uma via fica no local de votação. Assim, o resultado pode ser comparado com o total divulgado depois, segundo a A Crítica.

Partidos podem fiscalizar e pedir cópias

Fiscais são os representantes que cada partido indica para acompanhar a votação. A Lei 9.504/97 diz que partidos e coligações, grupos de partidos unidos na eleição, podem fiscalizar “todas as fases” da votação e da apuração. Isso inclui o processamento eletrônico da totalização (artigo 66).

Pelo artigo 68, o presidente da mesa deve entregar cópia do BU aos partidos que pedirem até uma hora depois da emissão. A própria lei diz que descumprir essa regra é crime.

Testes antes e durante a votação

O teste de integridade funciona como uma votação simulada. Ele existe desde 2002, segundo o Times Brasil. No primeiro turno, em 4 de outubro, 55 auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) acompanharam os testes em todo o país.

Antes da eleição, as urnas são sorteadas em cerimônia aberta na véspera, segundo a Correio. No dia da votação, representantes de entidades externas anotam votos em cédulas de papel. Voluntários digitam esses mesmos votos na urna. O BU emitido às 17h deve ser idêntico à soma das cédulas.

Outro exame é o Teste Público de Segurança, em que especialistas tentam atacar o sistema. A edição de dezembro de 2025 teve 35 planos de ataque, e 29 foram executados. Segundo o TSE, nenhum deles permitiu alterar votos ou resultados, informa a Aos Fatos.

A totalização pode ser conferida

A totalização é a soma dos votos de todas as seções. Antes dela, o sistema verifica se cada dado veio da urna daquela seção e se tem a assinatura digital correspondente, uma espécie de selo eletrônico que comprova a origem. A informação é do TSE, segundo a A Crítica.

O TSE publica os BUs no Portal Resultados, e os arquivos podem ser baixados para auditoria, segundo a TNH1. Quem tiver os boletins pode somar, candidato por candidato, os votos de todas as seções. O total tem de bater com o divulgado pelo tribunal. Se não bater, a diferença precisa ser explicada.

Etapa O que comprova Quem pode acompanhar
Boletim de urna Resultado impresso de cada seção Mesários, fiscais e eleitores no local
Teste de integridade Que a urna registra os votos digitados Partidos, OAB, Ministério Público e auditores do TCU
Teste público de segurança Resistência a ataques de especialistas Especialistas; resultado divulgado pelo TSE
Totalização Soma dos votos de todas as seções Partidos e qualquer pessoa, pelo Portal Resultados

Fonte: Lei 9.504/97; Times Brasil; Correio; Aos Fatos; A Crítica; TNH1. Elaboração: redação.

O que isso significa

A conta é simples: a soma dos boletins deve bater com o total divulgado. Pelo que o TSE descreve, os boletins são publicados, e qualquer pessoa pode checar. Nas reportagens que consultamos, não encontramos documento que aponte soma errada de boletins.

Ministros do TSE disseram ao SBT News que descartam anular a eleição. Eles citaram a diferença de votos entre os dois candidatos. Uma contestação baseada nos números precisa mostrar onde a soma não bate.

O que diz o TSE: em nota de 26/10/2026, o tribunal afirmou que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”. Disse também que dois fiscais do PL acompanharam o teste de integridade e que há registro de presença nos locais visitados, segundo a Agência Brasil. Não localizamos resposta pública da campanha de Flávio Bolsonaro à nota.

Como fizemos: Usamos o texto da Lei 9.504/97 no site do Planalto e reportagens de Agência Brasil, SBT News, Metrópoles, Times Brasil, Correio, A Crítica, TNH1 e Aos Fatos, acessadas em 26 de outubro de 2026. Os sites do TSE e do Conjur deram erro de acesso, então as regras das resoluções vêm de reportagens que as citam. Os totais de votos vêm da Gazeta do Povo; a diferença de mais de 4 milhões de votos é cálculo nosso (64.256.232 menos 59.826.041). Não somamos boletins de 2026: o texto descreve o procedimento, não a conferência de uma seção.

Fontes