Devido processo

Zanin prorrogou a votação até as 19h; as duas campanhas tinham pedido

Decisão saiu às 17h03, após o fim da votação; o TSE diz que a sala-cofre não recebe visitas e que fiscais do PL estiveram em outros espaços.

Fachada de vidro escuro do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, sob céu com nuvens e gramado em primeiro plano
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, onde o TSE diz que fiscais do PL estiveram no dia da votação.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de domingo (25), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin estendeu a votação do segundo turno até as 19h. A decisão saiu às 17h03, depois do horário em que a votação deveria encerrar. Lula (Partido dos Trabalhadores, PT) teve 64.256.232 votos (51,79%), e Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL), 59.826.041 (48,21%), segundo a Gazeta do Povo, com 100% das urnas apuradas.

A diferença foi de 4.430.191 votos, cerca de 4,4 milhões (cálculo nosso). Flávio disse que não reconhece o resultado. Ele atribuiu o problema à decisão de Zanin e à retirada de fiscais da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Quem pediu mais tempo

Os pedidos vieram das duas campanhas, em horários diferentes. Segundo o Poder360, a coligação de Lula, Brasil Pronto Pra Mais, entrou com uma reclamação, ação para cobrar o cumprimento de decisão judicial. Ela apontava prefeituras da Bahia e a falta de ônibus para eleitores.

A campanha de Flávio também pediu mais tempo. Às 15h50, segundo o Poder360, ela pediu ao TSE prorrogação em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa de chuvas, alagamentos e falta de energia. Às 16h22, a coligação de Lula levou o caso ao STF, com pedido para todo o país. Zanin foi sorteado relator às 16h33.

Zanin decidiu: “determino prorrogação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília”, segundo a CNN Brasil. Ele citou os dois lados: “as duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores”, segundo o Brasil de Fato.

Do país inteiro às urnas ainda abertas

O primeiro texto da decisão falava em todo o país. Depois, Zanin esclareceu que a medida valia “nos locais onde as urnas não foram fechadas”, segundo o Brasil de Fato. Pelo Poder360, “nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados”.

Às 17h01, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, enviou parecer contrário à extensão, segundo o Brasil de Fato. Às 17h49, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais: “as seções eleitorais que ainda estiverem abertas permaneçam em funcionamento até as 19h (horário de Brasília)”.

O que Flávio alega e o que o registro mostra

Segundo a Gazeta do Povo, Flávio disse: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. Segundo a InfoMoney, ele criticou a decisão por ter vindo de um ministro do STF, e não do TSE.

Ele também disse que a medida criou desigualdade, porque nem todas as localidades tiveram urnas reabertas. Esse ponto tem base no texto. A própria regra separou urnas abertas de urnas já fechadas, e eleitores de locais diferentes tiveram horários diferentes.

Sobre a sala-cofre, o TSE respondeu que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”. Segundo o Ric, o tribunal disse que dois fiscais do PL estiveram no prédio. Eles acompanharam o teste de integridade no subsolo, e também a sala de totalização e a sala dos partidos, no 5º andar. O teste de integridade compara a contagem da urna com uma contagem manual, com fiscais e auditoria externa, segundo o Poder360.

Em 2022, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, descartou adiar a votação: “E, logicamente, não haverá adiamento.” O caso foi um pedido da campanha de Lula, segundo a Jovem Pan. Não encontramos, nas fontes consultadas, outro caso de prorrogação da votação em todo o país.

O que diz o TSE: em nota, o tribunal disse que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação” e que há registro da presença dos fiscais nos locais visitados, segundo o Ric.

O que fica em aberto

As fontes consultadas não mostram quantos eleitores votaram entre 17h e 19h. Também não mostram se o horário extra mudou o resultado. Sem esse dado, a discussão fica no campo da regra e do procedimento.

Flávio disse que vai usar a via jurídica para pedir a anulação. A Gazeta do Povo registra que as acusações de irregularidades ainda não foram comprovadas.

Como fizemos: Usamos reportagens do Poder360 (25/10), CNN Brasil (25/10), Brasil de Fato (25/10), Gazeta do Povo (25 e 26/10), InfoMoney (25/10), Ric (26/10) e Jovem Pan (30/10/2022), acessadas em 26 de outubro de 2026. Os horários vêm do cronograma publicado pelo Poder360. Os votos e percentuais vêm da Gazeta do Povo, com 100% das urnas apuradas. A diferença de 4.430.191 votos é nosso cálculo (64.256.232 menos 59.826.041). O site do TSE deu erro de acesso (403), e a nota sobre a sala-cofre foi lida pelo Ric, não no original.

Fontes