Flávio prometeu anular a eleição, mas recuou no dia seguinte
Antes do resultado, a campanha de Flávio pediu mais tempo de voto ao TSE. Depois das 17h, só 34.330 eleitores votaram, segundo o TSE.

Por volta das 22h40 de domingo (25), Flávio Bolsonaro disse que “vamos pedir a anulação dessas eleições”. Na segunda-feira (26), aliados e a equipe jurídica diziam haver “zero chance” de isso acontecer, segundo o Metrópoles.
O que foi de fato protocolado é menor que o anúncio. Os registros checados mostram um pedido de mais tempo de votação, e não uma contestação do resultado.
O que foi protocolado no TSE
Antes do fim da votação, a campanha de Flávio já tinha pedido mais tempo. Duas petições foram assinadas eletronicamente às 15h26 e às 15h42 de domingo, segundo a Revista Fórum. Elas pediam votação até as 19h em cidades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Os pedidos citavam chuva, alagamentos e interdições de vias. Também queriam adiar a divulgação do resultado presidencial nessas cidades. Não encontramos decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre essas petições.
A ordem de Zanin e o corte do TSE
A reclamação que levou à mudança veio da campanha de Lula, segundo a Agência Brasil. Reclamação é uma ação para cobrar o cumprimento de decisão judicial. Ela apontava falta de transporte em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu: “determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília”. Ele citou a “gravidade dos fatos narrados”. O texto falava em “todas as seções de todo o Brasil”, segundo o Poder360.
Às 17h49, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais. O comunicado dizia: “Orienta-se que as seções eleitorais que ainda estiverem abertas permaneçam em funcionamento até as 19h”. Na prática, só seguiram votando as seções que ainda estavam abertas, segundo a Agência Brasil.
Quantos votaram depois das 17h
Votaram 34.330 eleitores depois das 17h, o equivalente a 0,03% do total, segundo dados do TSE divulgados pela InfoMoney. Desses, 29.001 votaram entre 17h e 17h05, segundo a CNN Brasil.
O resultado final foi de 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio. A diferença foi de 4.430.191 votos, também segundo a InfoMoney. Os 34.330 votos equivalem a 0,8% dessa diferença. Mesmo se todos tivessem ido a Flávio, ele ficaria 4.361.531 votos atrás.
O que Flávio disse, e o que recuou
No mesmo pronunciamento, Flávio disse: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. Sobre Zanin, afirmou que a decisão “muda a regra do jogo no meio do jogo”, segundo a Gazeta do Povo.
A campanha argumenta que mudar o horário no meio da votação viola o artigo 220 do Código Eleitoral, a lei que organiza as eleições, segundo a Gazeta do Povo. Esse artigo considera nula a votação feita em dia, hora ou local diferentes do designado.
Na segunda-feira (26), Flávio passou a defender a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Cassação é a perda do mandato. Ele acusa a chapa de abuso de poder político e econômico, segundo o Metrópoles.
Até a publicação, não encontramos petição de anulação protocolada no TSE. Também não encontramos recurso formal contra a decisão de Zanin. A equipe jurídica afirma, segundo o Metrópoles, que já protocolou 20 ações pedindo cassação. Não verificamos esses processos.
O que diz Flávio Bolsonaro: no domingo (25), afirmou que “vamos pedir a anulação dessas eleições”, segundo a Gazeta do Povo. Na segunda (26), em vídeo, passou a defender a cassação da chapa, segundo o Metrópoles. A redação não enviou perguntas à campanha antes desta publicação.
O que fica em aberto
Com 34.330 votos após as 17h e uma diferença de mais de 4,3 milhões, a extensão não decidiu a eleição. O que está protocolado até agora é um pedido de mais tempo de votação. A contestação da decisão de Zanin foi anunciada, mas não localizamos seu registro.
Como fizemos: Reunimos reportagens e textos de decisões publicados entre 25 e 27/10/2026, acessados em 27/10/2026: Agência Brasil, Poder360 (íntegra da decisão de Zanin), Revista Fórum (petições), InfoMoney e CNN Brasil (dados do TSE), Gazeta do Povo e Metrópoles. Não localizamos as petições nem a decisão no site oficial do TSE ou do STF, então os detalhes vêm das reportagens. Usamos 34.330 votos após as 17h, dado do TSE. Algumas notas citam cerca de 35,5 mil, cifra que não confirmamos em dado oficial. Os horários da reclamação divergem entre fontes (16h23 e 16h32), por isso não os publicamos. Os cálculos de 0,8% e de 4.361.531 votos são nossos. A publicação é urgente: a campanha e o TSE podem responder depois, e a resposta será incluída se chegar.
Fontes
- Zanin manda ampliar horário de votação até 19h — Agência Brasil (acesso em 27/10/2026)
- TSE: seções eleitorais ainda abertas devem manter votação até 19h — Agência Brasil (acesso em 27/10/2026)
- Leia a íntegra da decisão de Zanin que prorroga votação até as 19h — Poder360 (acesso em 27/10/2026)
- TSE avisou seções sobre prorrogação às 17h49 — Poder360 (acesso em 27/10/2026)
- Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação da votação; agora, alega manobra — Revista Fórum (acesso em 27/10/2026)
- 34 mil eleitores votaram após as 17h no 2º turno, mostram dados do TSE — CNN Brasil (acesso em 27/10/2026)
- Só 0,03% dos votos foram registrados após as 17h — InfoMoney (acesso em 27/10/2026)
- Flávio Bolsonaro diz que não reconhece resultado e vai pedir anulação — Gazeta do Povo (acesso em 27/10/2026)
- Flávio questiona resultado do segundo turno na Justiça — Gazeta do Povo (acesso em 27/10/2026)
- Flávio não vai mais pedir anulação da eleição, dizem aliados e jurídico — Metrópoles (acesso em 27/10/2026)
- Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 27/10/2026)
