AGU vai recorrer de liminar que liberou três bets
Decisão do TRF3 beneficia apenas a CDA Gaming e suas três marcas; empresa alega segurança jurídica, enquanto governo sustenta a proibição geral.

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta sexta-feira (6) que recorrerá da decisão que liberou três sites de apostas on-line. A liminar da desembargadora Adriana Pileggi, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), beneficia somente a CDA Gaming. A empresa opera Casa de Apostas, Betsul e Jogo On-line.
A decisão suspende para essa companhia as restrições da medida provisória que proibiu as bets em setembro. As demais empresas continuam sujeitas à proibição. A liminar vale até o julgamento definitivo do caso ou uma nova decisão judicial.
Três marcas pertencem à mesma empresa
A distinção evita superestimar o alcance da decisão. Não são três operadoras independentes autorizadas a voltar. É uma empresa, dona de três marcas, que obteve uma exceção provisória.
A regulamentação anterior permitia que cada empresa autorizada explorasse até três marcas. Segundo o UOL, 85 companhias receberam autorização e pagaram R$ 30 milhões cada uma. As outorgas totalizaram R$ 2,55 bilhões. Portanto, a liminar alcança uma entre essas 85 empresas, não três entre 85.
Liminar cria exceção limitada à CDA Gaming Situação após a decisão do TRF3
| Ponto | O que está valendo |
|---|---|
| Marcas beneficiadas | Casa de Apostas, Betsul e Jogo On-line |
| Empresa controladora | CDA Gaming, apenas uma operadora |
| Demais bets | Proibição da medida provisória permanece |
| Duração da liminar | Até decisão definitiva ou nova ordem judicial |
| Próximo passo | AGU anunciou recurso |
Fonte: Agência Brasil, Metrópoles e UOL. Elaboração: redação.
Empresa alega confisco e contrato até 2029
A CDA Gaming informou no processo ter pago R$ 30 milhões por uma licença válida até 31 de dezembro de 2029. A companhia sustentou que a interrupção repentina prejudicaria investimentos financeiros e técnicos feitos sob a autorização federal.
A 26ª Vara Cível Federal de São Paulo havia negado o pedido. Para a primeira instância, o interesse público na proteção da população deveria prevalecer sobre a segurança jurídica invocada pela empresa. A CDA recorreu ao TRF3 e obteve a liminar.
Ao aceitar o pedido, Pileggi afirmou que proibir a atividade sem devolução ou indenização configuraria “verdadeiro confisco”. Também escreveu que a invocação do interesse público não dá ao governo “poder mágico” para alterar subitamente o contratado. São fundamentos da decisão, não um julgamento definitivo sobre a medida provisória.
Proibição geral continua sob análise
O governo editou a medida em 25 de setembro, citando vício e endividamento provocados pelas apostas. Associações do setor questionam a proibição no Supremo Tribunal Federal (STF). Elas defendem segurança jurídica e apontam riscos de prejuízos e demissões.
Na terça-feira (3), o ministro Luiz Fux realizou audiência com clubes, associações e governo. Segundo o UOL, ele declarou ter se convencido de que a ludopatia é um problema de saúde pública e econômica. A posição foi manifestada no debate, sem equivaler a uma decisão do plenário.
O que diz a CDA Gaming: Nos argumentos reproduzidos pelo Metrópoles, a empresa afirma ter pago R$ 30 milhões por licença válida até o fim de 2029. Sustenta que a proibição imediata rompe a segurança jurídica e desconsidera investimentos realizados com base na autorização federal.
A AGU ainda não divulgou nas fontes consultadas os fundamentos do recurso anunciado. O próximo ponto objetivo será saber se o tribunal mantém a exceção durante o processo. Até lá, a regra geral e a liminar coexistem para destinatários diferentes.
Como fizemos: Conferimos a nota da Agência Brasil e as reportagens de Metrópoles e UOL, acessadas em 06/11/2026. Comparamos o número de marcas com o de empresas e recalculamos 85 pagamentos de R$ 30 milhões, que resultam em R$ 2,55 bilhões. Não estimamos quantas operadoras estavam ativas antes da proibição.
Fontes
- AGU vai recorrer de decisão que liberou volta de três bets — Agência Brasil (acesso em 06/11/2026)
- AGU recorrerá de decisão do TRF3 — Metrópoles (acesso em 06/11/2026)
- Justiça libera operação de três bets após veto do Planalto — UOL (acesso em 06/11/2026)
- Foto: TRF3 na Avenida Paulista — Wikimedia Commons (CC0 1.0) (acesso em 06/11/2026)
