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Só 5,7 milhões de CPFs investem em renda variável, mostra B3

Boletim da B3 registra 5,7 milhões de CPFs em renda variável no 2º trimestre de 2026, cerca de 2,7% dos habitantes do país, cálculo próprio.

Operadores de costas diante de monitores e de um painel eletrônico de cotações de ações no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que hoje integra a B3, com painel de cotações ao fundo.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A B3, a bolsa de valores do país, tinha 5,7 milhões de CPFs com investimentos em renda variável no fim do segundo trimestre de 2026. O número está no boletim “Análise da Evolução dos Investidores na B3”, divulgado em 17 de setembro. Renda variável é o grupo de aplicações cujo valor oscila, como ações e fundos de índice. Renda fixa reúne aplicações com juros definidos, como os títulos do Tesouro Direto.

O Brasil tem 214,2 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 1º de julho de 2026. Pela conta desta reportagem, os 5,7 milhões de CPFs equivalem a 2,7% da população. Quem está na bolsa, portanto, é uma minoria, mesmo com o crescimento recente. É esse grupo que mais sente a queda de segunda-feira (26), quando a B3 suspendeu a negociação na abertura, por circuit breaker, segundo a CNN Brasil e a InfoMoney.

CPF é o Cadastro de Pessoas Físicas, o número que identifica cada cidadão. A B3 conta pessoas físicas, ou seja, cidadãos, e não empresas. Em dezembro de 2025, a base era de 5,5 milhões de CPFs, segundo o boletim.

Quem entrou e quanto guardou

A base cresceu de 5,5 milhões para 5,7 milhões de CPFs em seis meses. A própria B3 fala em alta de 7% em um ano. O valor guardado na bolsa em nome desses investidores, chamado de custódia, passou de R$ 636,2 bilhões para R$ 656,3 bilhões.

Dividindo um valor pelo outro, a média fica perto de R$ 115 mil por CPF (cálculo próprio). É uma média. Poucos investidores com muito dinheiro puxam esse número para cima, e a B3 não publicou, no texto consultado, a mediana, que é o valor do meio da lista.

Renda variável alcança menos de 3% dos habitantes; renda fixa chega à metade Número de pessoas no 2º trimestre de 2026, e percentual sobre 214,2 milhões de habitantes

Base Pessoas Parte da população
Renda fixa 107,1 milhões 50,0%
Renda variável (CPFs) 5,7 milhões 2,7%
Tesouro Direto 3,5 milhões 1,6%
Fundos de índice (ETFs) 862 mil 0,4%

Fonte: B3, boletim de 17/09/2026 e nota de 25/08/2026. Percentuais: cálculo próprio. Os grupos se sobrepõem: a mesma pessoa pode estar em mais de um.

Os fundos de índice, ou ETFs, tiveram a maior alta. Eram 639 mil pessoas físicas em junho de 2025 e chegaram a 862 mil, uma expansão de 34%. Mesmo assim, o grupo equivale a menos de 0,5% dos habitantes.

Quem são as investidoras

Em fevereiro de 2026, 1,48 milhão de mulheres tinham posição na bolsa, num universo de 5,56 milhões de investidores. Elas representam 26,7% do total, segundo a B3. Cerca de 80% delas têm de 25 a 59 anos, e 60,2% estão no Sudeste.

Esses recortes, no texto da B3 consultado, aparecem só para as mulheres. O material não traz a mesma divisão para o total de investidores. Sem ela, o leitor não sabe como se distribuem os outros 73% da base.

O outro lado: fundos e previdência

Nem toda exposição à bolsa aparece na conta direta. Fundos de pensão e fundos de investimento aplicam parte do dinheiro em ações. A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) informa, no Relatório de Gestão 2024, que a previdência complementar fechada abriga 8,2 milhões de pessoas.

Esse número mostra uma exposição indireta maior do que a conta direta sugere. Ele não mostra quanto desse dinheiro vai para ações, e não equivale a ter CPF na bolsa.

Quanto ao volume de negócios, pessoas físicas movimentaram R$ 517,3 bilhões em ações no mercado à vista, o de compra e venda imediata, em 2025. Foi alta de 2,3%, segundo a B3. O texto consultado não traz a fatia de cada grupo no volume de 2026. Por isso, esta reportagem não diz quem domina os negócios hoje.

O que fica em aberto

Os dados mostram uma base que cresce, mas que segue pequena. Falta a concentração, isto é, quanto do dinheiro fica com poucos investidores. A B3 não publicou esse recorte nos textos consultados.

Investir em renda variável pode gerar perdas, e quedas de mercado podem se aprofundar. Esta reportagem não indica ativos nem prevê preços.

O que diz a B3: em nota publicada em 17 de setembro de 2026, a instituição afirma que “A base passou de 5,5 milhões de CPFs em dezembro de 2025 para 5,7 milhões no segundo trimestre de 2026”. Não houve contato direto com a B3 antes da publicação; o texto usa a nota pública.

Como fizemos: Usamos o boletim “Análise da Evolução dos Investidores na B3” (2º trimestre de 2026), divulgado em 17/09/2026, e textos da B3 de 14/01/2026, 25/08/2026 e 06/03/2026, acessados em 26/10/2026. A população é a estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026 (214.211.951), conforme o Poder360. Percentuais, médias por CPF e variações são cálculos próprios: 5,7 milhões dividido por 214,2 milhões, e R$ 656,3 bilhões dividido por 5,7 milhões. A nota de 25/08/2026 falava em 5,6 milhões de pessoas; usamos o boletim mais recente, e não encontramos a concentração de posições nem o PDF completo do 2º trimestre. O número de 8,2 milhões da Previc pode incluir dependentes, o que não confirmamos. Este texto não traz números do pregão de 26/10/2026; eles estão na reportagem do dia sobre a queda do Ibovespa.

Fontes