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Para investir na B3, comece por uma corretora autorizada pela CVM

Antes de comprar ações, confira a corretora no cadastro da CVM, guarde uma reserva de emergência e entenda custos e impostos.

Painel de cotações e dois operadores sentados de costas diante de monitores no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), antecessora da B3, em foto de abril de 2007.Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Você não compra ações diretamente na B3. A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a bolsa onde as negociações acontecem. O acesso passa por uma corretora, empresa que executa suas ordens de compra e venda. Ela precisa estar autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado, e credenciada na B3.

Antes de abrir conta, o primeiro passo é a reserva de emergência. O Bora Investir, site educativo da B3, afirma: “antes de investir para gerar renda, é necessário criar uma reserva de emergência”. Ela cobre despesas inesperadas, como um conserto urgente.

Quanto guardar antes

Um dos especialistas ouvidos pelo Bora Investir cita de 6 a 12 vezes as despesas fixas mensais. A reserva fica em aplicações de resgate rápido, como o Tesouro Selic ou CDBs (títulos de bancos) com liquidez diária.

Os passos para abrir conta

  1. Confira a corretora. No site da CVM, o menu “Consulta à Base de Dados” leva ao “Cadastro Geral da CVM”.
  2. Abra a conta no seu CPF. Desconfie de quem pede para investir em seu nome. A B3 e a BSM, entidade ligada à B3, dizem que não emitem certificados que atestem o registro de corretoras. Se alguém mostrar um documento assim, trate-o como sinal de alerta.
  3. Transfira o dinheiro. Depois de aberta a conta, envie o valor da sua conta bancária para a corretora.
  4. Use a plataforma. No home broker, ou aplicativo, você informa o código do ativo (ticker), a quantidade e o preço.

Custos que pesam

  • Corretagem: taxa da própria corretora. Ela varia de uma para outra, por isso leia a tabela antes de abrir conta.
  • Emolumentos: tarifa da B3 sobre cada operação. Segundo o InvestNews, é um percentual do valor negociado.
  • Custódia: taxa para manter os ativos guardados, que também varia por corretora.
  • Tesouro Direto: a taxa de custódia da B3 é de 0,2% do saldo, cobrada nas movimentações dos títulos. Até R$ 10 mil por CPF no Tesouro Selic ficam isentos.

Imposto de renda

Nas ações, o ganho fica isento quando o total vendido no mês fica em R$ 20 mil ou menos. Acima disso, o ganho líquido paga 15%, segundo a Lei 11.033/2004. O day trade, compra e venda no mesmo dia, paga 20%. Segundo guias de investimento, ele fica fora da isenção.

Uma medida provisória de 2025, a MP 1.303, queria mudar essa regra. Ela perdeu a validade sem ser votada, segundo a B3, e a regra de R$ 20 mil segue valendo. Desde janeiro de 2026, dividendos acima de R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa sofrem retenção de 10%, pela Lei 15.270.

Proteções e limites

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre contas, poupança, CDBs e letras como LCI e LCA, até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Ações não estão nessa lista.

O Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), administrado pela BSM, cobre falhas de intermediários, como ordem executada de forma incorreta. O teto é de R$ 200 mil por ocorrência, desde 2024. O pedido deve ser feito em até 18 meses, e o mecanismo trata de falhas, não de queda no preço do ativo.

Riscos

Ações e outros ativos podem perder valor, inclusive todo o dinheiro aplicado. Em quedas fortes, o pânico pode se aprofundar antes de qualquer recuperação. Nenhuma proteção acima garante retorno.

O que diz a CVM: no FAQ «Como escolher a Corretora», a autarquia afirma: “Para saber quais são os participantes cadastrados/autorizados pela CVM, basta acessar o site desta Autarquia”, no menu “Consulta à Base de Dados”.

O que fazer agora

A ordem é simples: primeiro a reserva, depois a corretora conferida na CVM e, por fim, os custos e impostos. Quem prefere começar pela renda fixa pode olhar o Tesouro Direto, que informa investimento mínimo a partir de R$ 2. Este texto não indica produtos nem prevê retornos.

Como fizemos: Usamos páginas da B3, da CVM, do FGC e do Tesouro Direto, além do texto da Lei 11.033/2004 e da Lei 15.270/2025 no Planalto, acessados em 26 de outubro de 2026. Não fizemos cálculos: os valores citados são os das fontes. Não localizamos a tabela atual de corretagem e emolumentos da B3, e as tarifas de corretoras variam. Não acessamos a Receita Federal; a regra do day trade vem de guias de investimento e deve ser confirmada no site da Receita.

Fontes