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Desemprego cai a 5,3%, mas a criação de vagas formais desacelera

O desemprego ficou em 5,3% até agosto e o número de ocupados bateu recorde, mas o Caged mostra menos vagas formais que em 2025.

Operadores de costas diante de monitores e de um painel eletrônico de cotações no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), hoje parte da B3, em foto de arquivo de 2007.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE. É a menor taxa para o período desde 2012, início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Ao mesmo tempo, o Novo Caged mostra que as vagas formais perderam força em 2026.

Lula (PT) foi reeleito no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a Vatican News. Na segunda-feira (26), o Ibovespa, índice das ações mais negociadas, fechou em queda de 13,88%, segundo a CNN Brasil. O mercado financeiro reage em minutos a resultados eleitorais.

A Bolsa reflete expectativas de investidores sobre juros, dólar e lucros. O IBGE e o Ministério do Trabalho medem o que acontece com quem trabalha. Os dois retratos são diferentes, e os dados mostram isso.

Mais gente ocupada, mas com mais informalidade

Entre junho e agosto, 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas. É o maior número da série, segundo o IBGE. Os empregados com carteira no setor privado somaram 39,5 milhões, também recorde. Mas a informalidade subiu para 37,5%, contra 37,3% no trimestre até maio.

A renda média real habitual foi de R$ 3.777, alta de 3,7% sobre um ano antes. A média, porém, é puxada para cima por salários altos. Não localizamos a mediana, que mostra o valor do trabalhador do meio.

Vagas formais perdem força

O Caged registrou saldo de 165.827 vagas formais em agosto, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi o segundo pior agosto desde 2020.

De janeiro a agosto, o saldo chegou a 1.134.033 vagas. Segundo a CNA, esse total fica 25,2% abaixo do mesmo período de 2025. O salário médio real de admissão, de R$ 2.410,74 em agosto, subiu 1,02% sobre agosto de 2025, segundo o MTE.

A economia cresce pouco

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre frente ao primeiro, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 2,0%. O consumo das famílias recuou 0,4% no trimestre, e a agropecuária puxou o resultado, com alta de 2,8%.

O que diz o IBGE: no comunicado do PIB do segundo trimestre, o instituto afirma: “No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5% frente ao primeiro trimestre de 2026, na série com ajuste sazonal.” Os dados foram divulgados em 1º de setembro, segundo a Agência Gov, que reproduz o texto.

O que pesa do outro lado

A queda da Bolsa não fica só na Bolsa. Um dólar mais caro encarece importações e pode pressionar preços. Em setembro, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,82%. Em 12 meses, chegou a 4,58%, acima do teto da meta de 4,5%, segundo o IBGE.

O Banco Central cortou a Selic, a taxa básica de juros, de 14% para 13,75% em 16 de setembro. A decisão foi do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o Atlas Público. Juros de longo prazo mais altos encarecem crédito para empresas e famílias.

O risco fiscal, ou seja, o das contas públicas, é o ponto mais sensível. A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, projetou em junho um déficit primário de R$ 51,7 bilhões em 2026. Déficit primário é quando o governo gasta mais do que arrecada, sem contar os juros da dívida. Em outubro, o levantamento Prisma, com economistas de mercado, elevou essa previsão para cerca de R$ 53 bilhões.

O que isso significa

Os números não mostram colapso do emprego. Mostram ocupação alta, desemprego baixo e crescimento modesto, com vagas formais mais lentas. A Bolsa, por sua vez, reage a expectativas sobre juros, dólar e contas públicas. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. A reação do mercado não é previsão de emprego nem de renda.

Os dados de setembro do Caged e da PNAD Contínua ainda não tinham sido divulgados até esta publicação. Eles mostrarão se a desaceleração das vagas formais continua.

Como fizemos: Usamos a PNAD Contínua do trimestre até agosto de 2026 (IBGE, divulgada em 29/09/2026), o Novo Caged de agosto (MTE, 29/09/2026), o PIB do segundo trimestre (IBGE, 01/09/2026) e o IPCA de setembro (IBGE, 09/10/2026), acessados em 26/10/2026 pelas reproduções listadas em Fontes, porque o site do IBGE não respondeu à consulta. Os valores de renda são médias reais; a mediana não foi localizada. A queda da desocupação, de 5,6% para 5,3%, é de 0,3 ponto percentual. A queda de 13,88% do Ibovespa em 26/10 vem da CNN Brasil. Os números de IFI, Prisma e CNA vieram de resumos e não foram conferidos nos documentos originais.

Fontes