Desemprego cai a 5,3%, mas a criação de vagas formais desacelera
O desemprego ficou em 5,3% até agosto e o número de ocupados bateu recorde, mas o Caged mostra menos vagas formais que em 2025.

O desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE. É a menor taxa para o período desde 2012, início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Ao mesmo tempo, o Novo Caged mostra que as vagas formais perderam força em 2026.
Lula (PT) foi reeleito no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a Vatican News. Na segunda-feira (26), o Ibovespa, índice das ações mais negociadas, fechou em queda de 13,88%, segundo a CNN Brasil. O mercado financeiro reage em minutos a resultados eleitorais.
A Bolsa reflete expectativas de investidores sobre juros, dólar e lucros. O IBGE e o Ministério do Trabalho medem o que acontece com quem trabalha. Os dois retratos são diferentes, e os dados mostram isso.
Mais gente ocupada, mas com mais informalidade
Entre junho e agosto, 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas. É o maior número da série, segundo o IBGE. Os empregados com carteira no setor privado somaram 39,5 milhões, também recorde. Mas a informalidade subiu para 37,5%, contra 37,3% no trimestre até maio.
A renda média real habitual foi de R$ 3.777, alta de 3,7% sobre um ano antes. A média, porém, é puxada para cima por salários altos. Não localizamos a mediana, que mostra o valor do trabalhador do meio.
Vagas formais perdem força
O Caged registrou saldo de 165.827 vagas formais em agosto, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi o segundo pior agosto desde 2020.
De janeiro a agosto, o saldo chegou a 1.134.033 vagas. Segundo a CNA, esse total fica 25,2% abaixo do mesmo período de 2025. O salário médio real de admissão, de R$ 2.410,74 em agosto, subiu 1,02% sobre agosto de 2025, segundo o MTE.
A economia cresce pouco
O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre frente ao primeiro, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 2,0%. O consumo das famílias recuou 0,4% no trimestre, e a agropecuária puxou o resultado, com alta de 2,8%.
O que diz o IBGE: no comunicado do PIB do segundo trimestre, o instituto afirma: “No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5% frente ao primeiro trimestre de 2026, na série com ajuste sazonal.” Os dados foram divulgados em 1º de setembro, segundo a Agência Gov, que reproduz o texto.
O que pesa do outro lado
A queda da Bolsa não fica só na Bolsa. Um dólar mais caro encarece importações e pode pressionar preços. Em setembro, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,82%. Em 12 meses, chegou a 4,58%, acima do teto da meta de 4,5%, segundo o IBGE.
O Banco Central cortou a Selic, a taxa básica de juros, de 14% para 13,75% em 16 de setembro. A decisão foi do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o Atlas Público. Juros de longo prazo mais altos encarecem crédito para empresas e famílias.
O risco fiscal, ou seja, o das contas públicas, é o ponto mais sensível. A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, projetou em junho um déficit primário de R$ 51,7 bilhões em 2026. Déficit primário é quando o governo gasta mais do que arrecada, sem contar os juros da dívida. Em outubro, o levantamento Prisma, com economistas de mercado, elevou essa previsão para cerca de R$ 53 bilhões.
O que isso significa
Os números não mostram colapso do emprego. Mostram ocupação alta, desemprego baixo e crescimento modesto, com vagas formais mais lentas. A Bolsa, por sua vez, reage a expectativas sobre juros, dólar e contas públicas. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. A reação do mercado não é previsão de emprego nem de renda.
Os dados de setembro do Caged e da PNAD Contínua ainda não tinham sido divulgados até esta publicação. Eles mostrarão se a desaceleração das vagas formais continua.
Como fizemos: Usamos a PNAD Contínua do trimestre até agosto de 2026 (IBGE, divulgada em 29/09/2026), o Novo Caged de agosto (MTE, 29/09/2026), o PIB do segundo trimestre (IBGE, 01/09/2026) e o IPCA de setembro (IBGE, 09/10/2026), acessados em 26/10/2026 pelas reproduções listadas em Fontes, porque o site do IBGE não respondeu à consulta. Os valores de renda são médias reais; a mediana não foi localizada. A queda da desocupação, de 5,6% para 5,3%, é de 0,3 ponto percentual. A queda de 13,88% do Ibovespa em 26/10 vem da CNN Brasil. Os números de IFI, Prisma e CNA vieram de resumos e não foram conferidos nos documentos originais.
Fontes
- Dólar sobe 8% e Bolsa tem maior queda desde a pandemia após vitória de Lula — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Desemprego cai no trimestre e número de pessoas ocupadas é o maior da série histórica — Agência Gov (acesso em 26/10/2026)
- Taxa de desemprego fica em 5,3% no trimestre até agosto, revela IBGE — Acessa (acesso em 26/10/2026)
- Novo Caged: emprego formal gera 165,8 mil vagas em agosto e acumula 1,13 milhão de postos no ano — Agência Gov (acesso em 26/10/2026)
- Agosto tem criação de 165,8 mil empregos formais — CNA (acesso em 26/10/2026)
- PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, aponta IBGE — Agência Gov (acesso em 26/10/2026)
- IPCA sobe mais do que o esperado em setembro e fica acima da meta de inflação — Jornal do Comércio (acesso em 26/10/2026)
- CMN mantém meta de inflação em 3% para 2026 — SBT News (acesso em 26/10/2026)
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime — Atlas Público (acesso em 26/10/2026)
- Lula é reeleito presidente da República no segundo turno — Vatican News (acesso em 26/10/2026)
- Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113, junho de 2026 — IFI (acesso em 26/10/2026)
- Prisma: economistas pioram déficit fiscal e dívida pública de 2026 — Forbes Brasil (acesso em 26/10/2026)
