Pará pede tropas federais; Rio e Pernambuco mobilizam polícias
Pará pediu tropas federais para 38 municípios, e Espírito Santo, Rio e Pernambuco anunciaram reforço policial para o 2º turno.

Ao menos quatro estados anunciaram esquemas de segurança para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. Os anúncios saíram entre 20 e 23 de outubro, e a maioria partiu de governos estaduais. Não localizamos anúncio nacional do Ministério da Justiça ou da Polícia Federal (PF) nesse intervalo.
Em 21 de julho, o governo publicou o Decreto nº 13.073. Ele autoriza o uso das Forças Armadas na segurança da votação, na apuração e no apoio logístico. Segundo a Gazeta do Povo, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicar os municípios e os períodos de atuação.
Pará pede tropas e mobiliza 14 mil agentes
No dia 19 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) aprovou por unanimidade um pedido de forças federais para 38 municípios. São 501 locais de votação, 27 deles em territórios indígenas, segundo O Liberal. O governo estadual foi consultado e concordou. As tropas atuariam em apoio às forças estaduais.
Oito municípios recusaram expressamente o apoio federal. Outros 14 não fizeram pedido. O pedido foi enviado ao TSE, segundo a mesma reportagem.
Na quarta-feira (21), a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) disse que vai mobilizar 14 mil agentes das forças estaduais nos 144 municípios. São 12 mil policiais militares, 900 viaturas e 500 motocicletas. A votação terá 23.259 urnas, e 3.299 delas irão por barco, informou O Liberal.
Rio, Espírito Santo e Pernambuco
No Rio de Janeiro, o governo estadual mobiliza mais de 20 mil policiais militares. Eles vão cobrir 5.040 locais de votação em 165 zonas eleitorais, segundo a CNN Brasil, em 23 de outubro. A reportagem não cita forças federais.
Em Pernambuco, a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) prevê 12.497 profissionais no domingo. Desse total, 10.954 são policiais militares da Grande Recife. A PF e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) são parceiras da operação, segundo a CBN Recife.
No Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp-ES) coordena cerca de 9.200 agentes. PF e PRF aparecem entre os participantes, segundo o Tempo Novo, em 22 de outubro.
Antes, em 15 de outubro, o TRE do Rio pediu tropas federais para 15 cidades, com militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O pedido também precisa passar pelo TSE. Até sexta-feira (23), não localizamos decisão sobre ele.
Regras para a PRF e para a seção
Uma portaria conjunta do TSE e do Ministério da Justiça, feita em setembro, vale para os dois turnos, segundo a Folha de Pernambuco. Pelo resumo do A Crítica, a PRF só deve abordar veículos diante de “risco concreto e iminente à vida ou à integridade física das pessoas”. A regra busca garantir que o eleitor chegue ao local de votação.
Dentro e perto da seção, valem outros limites. Em reportagem de 2022, o Correio Braziliense resumiu a regra do Código Eleitoral: a polícia deve ficar a 100 metros da seção. Ela não pode entrar nela, salvo convocação dos mesários ou de outras autoridades.
Há ainda a proteção contra prisão. O artigo 236 do Código Eleitoral proíbe prender eleitor desde cinco dias antes até 48 horas depois da votação. A exceção vale para flagrante e condenação por crime inafiançável.
O que diz a Segup do Pará: o secretário Ed-Lin Anselmo afirmou: “Estaremos empenhados da mesma forma para que tenhamos o mínimo de ocorrências.” A frase foi publicada por O Liberal em 21 de outubro. Não é resposta a perguntas da redação.
O que fica em aberto
Pedido não é decisão. Pará e Rio dependem do TSE para ter tropas federais, e não localizamos esse resultado. Como o decreto deixa a escolha dos municípios com o TSE, a lista final ainda pode mudar.
Os limites para a polícia estão escritos nas regras citadas. O domingo mostrará se as forças os cumprem, e os relatos dos estados sobre ocorrências serão o próximo dado a acompanhar.
Como fizemos: Usamos reportagens de O Liberal (20 e 21/10/2026), Tempo Novo (22/10), CNN Brasil (23/10), CBN Recife (23/10), Agência Brasil republicada pelo Acessa (15/10) e Gazeta do Povo (21/07), acessadas em 23 de outubro de 2026. Os números de agentes são os informados por cada órgão, sem soma, porque cada estado conta de um jeito. Não consultamos a íntegra da portaria nem do Código Eleitoral, cujos sites oficiais não abriram; as regras vêm das reportagens citadas.
Fontes
- Pará terá 14 mil agentes de segurança no segundo turno das eleições 2026 — O Liberal (acesso em 23/10/2026)
- Forças federais devem atuar em 38 municípios do Pará no 2º turno — O Liberal (acesso em 23/10/2026)
- Mais de 9 mil agentes vão atuar no segundo turno das eleições no ES — Jornal Tempo Novo (acesso em 23/10/2026)
- Rio de Janeiro mobiliza mais de 20 mil policiais no segundo turno — CNN Brasil (acesso em 23/10/2026)
- Mais de 12 mil profissionais da segurança pública atuarão no segundo turno — CBN Recife (acesso em 23/10/2026)
- TRE-RJ decide pedir apoio de tropas federais para o segundo turno — Agência Brasil, republicada pelo Acessa (acesso em 23/10/2026)
- Lula autoriza emprego das Forças Armadas para garantir segurança nas eleições de 2026 — Gazeta do Povo (acesso em 23/10/2026)
- PRF define regras para atuação nas eleições de 2026 em rodovias federais — A Crítica (acesso em 23/10/2026)
- TSE e PF reforçam planejamento para segurança — Folha de Pernambuco (acesso em 23/10/2026)
- Prisões na véspera e no dia da eleição — Jus.com.br (acesso em 23/10/2026)
- Porte de armas nos locais de votação é proibido pelo TSE — O Imparcial, reproduzindo o Correio Braziliense (acesso em 23/10/2026)
- Foto: Eleitores em fila, primeiro turno 2026 — Wikimedia Commons (acesso em 23/10/2026)
