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Acusações de ex-sócio de Flávio não foram verificadas; caso Vorcaro tem documentos

Alexandre Santini levou ao PlatôBR relatos sobre um Rolex de R$ 305 mil e lobby no STF; nenhum foi verificado de forma independente.

O senador Flávio Bolsonaro, de terno escuro, camisa azul-clara e gravata, fala diante de um microfone da TV Senado
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dá entrevista no Senado, em Brasília, em junho de 2025 (foto de arquivo).Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Em 29 de setembro, o site PlatôBR publicou relatos de Alexandre Santini sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Santini é ex-sócio dele numa franquia da Kopenhagen, marca de chocolates. Os relatos citam encontros com garotas de programa e um Rolex de R$ 305 mil. Também falam em lobby, ou seja, tentativa de influenciar decisão por contatos pessoais, junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nenhuma dessas acusações foi verificada de forma independente, e este texto não as trata como fato. Ele separa o que já tem registro público do que ainda depende de prova. O segundo turno da eleição está marcado para 25 de outubro.

Em 2023, Santini pediu na Justiça indenização de R$ 1,47 milhão, segundo O Povo. No caso das joias sauditas, o advogado Frederick Wassef admitiu ter recomprado um Rolex que Jair Bolsonaro recebeu da Arábia Saudita. Flávio disse confiar “100%” em Wassef, mas não aparece como investigado nas fontes consultadas.

Três acusações, nenhuma verificada

Segundo o PlatôBR, publicado pelo Terra, uma fatura de fevereiro de 2022 registra o relógio em nome do advogado Alan Belaciano. Mensagens guardadas por Santini indicariam que o relógio seria para Flávio. Não localizamos outra fonte que confirme a compra ou a entrega.

Decisão judicial confirma investigação de Flávio; acusações de Santini não têm verificação Situação de cada afirmação nas fontes consultadas, em 21 de outubro de 2026

Afirmação Quem afirma Situação
Rolex de R$ 305 mil em nome de advogado Santini, via PlatôBR Sem verificação independente
Encontros com garotas de programa Santini, via PlatôBR Sem verificação independente
Lobby junto a Kassio Nunes Marques Mensagem atribuída a Santini Intermediação não confirmada
Investigação do caso Dark Horse Agência Brasil, sobre decisão do STF Confirmada: Flávio é investigado
“Irmão, estou e estarei contigo sempre” Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil Reportada pela imprensa
43 declarações enganosas de Flávio Aos Fatos Checagem publicada em 24/9/2026

Fonte: Terra; Diário de Pernambuco; Agência Brasil; SBT News; Aos Fatos. Elaboração: redação.

Em mensagem de fim de 2023, Santini diz saber que Flávio tratou diretamente com o ministro sobre o interesse de um cliente. A reportagem não identifica o processo nem confirma intermediação. Segundo o Terra, o senador também diz que Santini pediu dinheiro, mas essa afirmação não foi localizada nas fontes consultadas.

O caso Vorcaro tem registros públicos

Em 17 de novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, segundo a CNN Brasil. Em mensagens reveladas pelo Intercept Brasil, site de jornalismo investigativo, Flávio escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. Uma das trocas ocorreu em 16 de novembro, um dia antes da prisão.

Em 22 de julho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, incluiu Flávio como investigado no caso Dark Horse, segundo a Agência Brasil. Investigado é alvo de investigação; réu é quem responde a processo aceito pela Justiça. As suspeitas são de lavagem de dinheiro (ocultar a origem ilegal de recursos), evasão de divisas (envio ilegal de dinheiro ao exterior) e corrupção. A apuração trata de um repasse para custear a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Em 13 de maio, antes da publicação de reportagem do Intercept, Flávio negou ter pedido dinheiro a Vorcaro, segundo O Liberal. Depois, em nota ao Poder360, disse ter buscado “patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO” sobre o pai. Segundo O Liberal, o Intercept diz que a negociação somou cerca de R$ 134 milhões, e que R$ 61 milhões teriam sido pagos à produtora. O site de checagem Aos Fatos mapeou 43 declarações enganosas de Flávio sobre o caso, entre fevereiro e setembro de 2026.

Uma régua de 2022

Em agosto de 2022, o UOL publicou reportagens sobre imóveis da família Bolsonaro. Segundo o Congresso em Foco, a família negociou 107 imóveis desde os anos 1990. Ao menos 51 tiveram uso de dinheiro vivo, total ou parcial. A proporção de 48% é cálculo nosso: 51 dividido por 107.

Quase metade dos imóveis da família Bolsonaro teve uso de dinheiro vivo Imóveis negociados desde os anos 1990, em número e em proporção; dados de reportagem de agosto de 2022

Indicador Valor
Imóveis negociados 107
Com uso de dinheiro vivo, ao menos 51
Proporção (cálculo da redação, arredondado) 48%
Repasses, em R$ milhões 13,5

Fonte: Congresso em Foco, com dados do UOL (30/8/2022). Os dados referem-se à família, não a cada pessoa. Elaboração: redação.

Flávio pediu a retirada das reportagens e apresentou queixa-crime, ação penal aberta pela própria vítima, contra os jornalistas Juliana Dal Piva e Thiago Lana, por calúnia e difamação. Um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal mandou o UOL retirar as reportagens. No dia 23 de setembro de 2022, o ministro André Mendonça, do STF, derrubou a ordem e mandou recolocá-las no ar, segundo o Poder360.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em declarações anteriores, citadas pelo Diário de Pernambuco, ele chama de “infundadas” as acusações de Santini. Em nota sobre o caso Vorcaro, afirma: “Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”. O Terra diz ter procurado a campanha do senador sobre o relato, e que o espaço segue aberto.

O que isso significa

As acusações de Santini ainda não têm prova independente. O caso Vorcaro já tem decisão judicial e mensagens publicadas, mas Flávio ainda é investigado, e as fontes consultadas não o apontam como réu.

A presunção de inocência não impede a imprensa de publicar denúncias. Ela exige, porém, que a acusação traga quem a fez e a resposta do acusado. Até a Justiça concluir a investigação, e alguém confirmar ou afastar o relato sobre o Rolex, a diferença é de prova.

Como fizemos: Checamos cada afirmação nas reportagens, decisões e checagens citadas, consultadas em 21 de outubro de 2026, para fatos de 2022 a 2026. Os dados de 2022 são do Congresso em Foco, com base no UOL; a proporção de 48% é nosso cálculo (51 ÷ 107, arredondado), e os R$ 13,5 milhões somam compras de décadas, sem correção pela inflação. Não tivemos acesso aos processos nem à íntegra das mensagens. O Intercept e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) bloquearam a consulta automática; nesses casos, conferimos a informação em outras reportagens.

Correção: Uma versão anterior deste texto falava em “festas” com garotas de programa; o relato publicado fala em encontros privados. A mesma versão dizia que o Aos Fatos contou 43 declarações “falsas”, mas o site as classifica como enganosas. Também atribuía ao Terra a palavra “infundadas”, que vem de declarações citadas pelo Diário de Pernambuco.

Fontes