A margem de erro não separa Lula e Flávio nas pesquisas do 2º turno
Como conferir o número de registro no TSE, quais dados a lei exige em cada pesquisa e por que a margem de erro muda a leitura do 2º turno.

Na quinta-feira (15), o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula (PT) com 45%. A diferença de 2 pontos cabe na margem de erro. Por isso, nenhum dos dois pode ser dado como líder com segurança.
O segundo turno é no domingo (25). Nos próximos dias, muitas pesquisas vão circular. Veja o que cada uma precisa informar e o que os números permitem concluir.
O registro vem antes da divulgação
Toda pesquisa eleitoral precisa ser registrada na Justiça Eleitoral antes de ser divulgada. O registro é feito no PesqEle, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a resolução do TSE, reportada pelo jornal O Liberal, o registro “deve ser feito até cinco dias antes da divulgação dos resultados”.
Pelo calendário, o prazo para registrar pesquisas do segundo turno terminou na segunda-feira (19), segundo o Muita Informação. Divulgar pesquisa sem registro pode levar à suspensão judicial e a multa de R$ 53 mil a R$ 106 mil, segundo o jornal O Liberal.
O que a pesquisa precisa informar
O artigo 33 da Lei 9.504/1997, a Lei das Eleições, exige que o registro diga quem contratou a pesquisa e quem pagou por ela. Exige também a origem e o valor dos recursos, a metodologia e o período de coleta.
Na divulgação, segundo um guia do TRE-MT, devem aparecer o período da coleta, o número de entrevistas, a margem de erro, o nível de confiança e o número de registro. A reportagem do Correio da Manhã sobre o Datafolha de 15 de outubro não informa quem contratou. Esse dado deve estar na divulgação ou no PesqEle.
Margem de erro numa disputa apertada
A margem de erro é a variação esperada do resultado de cada candidato, para mais ou para menos. O nível de confiança, em geral de 95%, indica a chance de o resultado real estar dentro dessa faixa.
Numa disputa entre dois candidatos, a conta é outra. A diferença entre eles tem margem quase o dobro da margem de cada um. A tabela mostra duas pesquisas de segundo turno de outubro, com dados completos nas reportagens consultadas.
Duas pesquisas do 2º turno dão 2 pontos de vantagem a Flávio Intenção de voto total, em %, e entrevistas por pesquisa
| Pesquisa e registro | Entrevistas | Coleta | Flávio x Lula |
|---|---|---|---|
| Quaest, 14/10 (BR-08729/2026) | 2.154 | 10 a 13/10 | 46% x 44% |
| Datafolha, 15/10 (BR-00466/2026) | 2.520 | 13 a 15/10 | 47% x 45% |
Fonte: Correio da Manhã, sobre as pesquisas Quaest e Datafolha. Elaboração: redação.
Pela nossa conta, a diferença de 2 pontos fica dentro de uma margem de 3,7 a 4 pontos. Nas duas pesquisas, os dados não permitem afirmar quem está à frente. Pesquisas com pesos estatísticos podem ter margem real um pouco maior.
Pesquisa não é resultado
A pesquisa mede a intenção de voto no dia em que foi feita. Ela não prevê quem vai às urnas nem quem muda de ideia depois.
Os números de intenção incluem brancos, nulos e indecisos. Os votos válidos excluem brancos e nulos. No Datafolha de 15 de outubro, os votos válidos foram 51% para Flávio e 49% para Lula, segundo o Correio da Manhã.
Hoje não há proibição de divulgar pesquisa nos dias antes da eleição. A Lei 9.504 chegou a proibir a divulgação nos 15 dias antes do pleito, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou esse artigo inconstitucional em 2006. Continuam valendo o registro com cinco dias de antecedência e a regra da boca de urna. A boca de urna só pode ser divulgada depois do fechamento das seções, às 17h de Brasília, segundo o Correio 24 Horas.
O que diz o TSE: A Resolução 23.600/2019 manda registrar a pesquisa no PesqEle até cinco dias antes da divulgação. Esta reportagem não enviou perguntas ao tribunal: a posição citada é a do texto da resolução, reportado pelo O Liberal.
O que isso significa
Com a mesma vantagem de 2 pontos em duas pesquisas, a disputa segue aberta. Os dados mostram um empate estatístico, não uma vitória. Antes de compartilhar um número, procure o registro no PesqEle, confira quem pagou e quantas pessoas foram ouvidas. A totalização oficial do TSE começa a ser divulgada às 17h de domingo, segundo o Correio 24 Horas.
Como fizemos: Usamos reportagens do Correio da Manhã sobre a Quaest de 14/10 e o Datafolha de 15/10, acessadas em 23/10/2026, além de textos do O Liberal, do Muita Informação e do Correio 24 Horas e a decisão do STF de 2006. Não conseguimos abrir o PesqEle nem o site do TSE, então os números de registro são os das reportagens e devem ser conferidos no sistema. A margem da diferença é nossa conta, pela fórmula de amostra aleatória simples: 1,96 × raiz de [(p1 + p2 − (p1 − p2)²) ÷ n]. Não lemos a íntegra da Lei 9.504/1997 nem do guia do TRE-MT. A Quaest de 21/10 (45% a 44%) ficou de fora, porque o registro informado por uma reportagem não pôde ser conferido.
Fontes
- Quaest: Flávio tem 46% e Lula 44% no segundo turno — Correio da Manhã (acesso em 23/10/2026)
- Flávio mantém liderança sobre Lula no Datafolha, mas vantagem diminui — Correio da Manhã (acesso em 23/10/2026)
- TSE endurece regras para pesquisas eleitorais em 2026; entenda — O Liberal (acesso em 23/10/2026)
- Institutos têm prazo encerrado para registrar pesquisas do 2º turno — Muita Informação (acesso em 23/10/2026)
- Direto do Plenário: STF declara inconstitucional, em parte, lei que regula campanhas políticas — STF (acesso em 23/10/2026)
- Eleições 2026: não terão pesquisa boca de urna neste domingo; entenda o motivo — Correio 24 Horas (acesso em 23/10/2026)
- Guia rápido de pesquisas eleitorais — TRE-MT (acesso em 23/10/2026)
- Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 — Planalto (acesso em 23/10/2026)
