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A margem de erro não separa Lula e Flávio nas pesquisas do 2º turno

Como conferir o número de registro no TSE, quais dados a lei exige em cada pesquisa e por que a margem de erro muda a leitura do 2º turno.

Fachada curva de vidro escuro do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com dois domos brancos na frente
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. O registro das pesquisas é feito no sistema PesqEle.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na quinta-feira (15), o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula (PT) com 45%. A diferença de 2 pontos cabe na margem de erro. Por isso, nenhum dos dois pode ser dado como líder com segurança.

O segundo turno é no domingo (25). Nos próximos dias, muitas pesquisas vão circular. Veja o que cada uma precisa informar e o que os números permitem concluir.

O registro vem antes da divulgação

Toda pesquisa eleitoral precisa ser registrada na Justiça Eleitoral antes de ser divulgada. O registro é feito no PesqEle, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a resolução do TSE, reportada pelo jornal O Liberal, o registro “deve ser feito até cinco dias antes da divulgação dos resultados”.

Pelo calendário, o prazo para registrar pesquisas do segundo turno terminou na segunda-feira (19), segundo o Muita Informação. Divulgar pesquisa sem registro pode levar à suspensão judicial e a multa de R$ 53 mil a R$ 106 mil, segundo o jornal O Liberal.

O que a pesquisa precisa informar

O artigo 33 da Lei 9.504/1997, a Lei das Eleições, exige que o registro diga quem contratou a pesquisa e quem pagou por ela. Exige também a origem e o valor dos recursos, a metodologia e o período de coleta.

Na divulgação, segundo um guia do TRE-MT, devem aparecer o período da coleta, o número de entrevistas, a margem de erro, o nível de confiança e o número de registro. A reportagem do Correio da Manhã sobre o Datafolha de 15 de outubro não informa quem contratou. Esse dado deve estar na divulgação ou no PesqEle.

Margem de erro numa disputa apertada

A margem de erro é a variação esperada do resultado de cada candidato, para mais ou para menos. O nível de confiança, em geral de 95%, indica a chance de o resultado real estar dentro dessa faixa.

Numa disputa entre dois candidatos, a conta é outra. A diferença entre eles tem margem quase o dobro da margem de cada um. A tabela mostra duas pesquisas de segundo turno de outubro, com dados completos nas reportagens consultadas.

Duas pesquisas do 2º turno dão 2 pontos de vantagem a Flávio Intenção de voto total, em %, e entrevistas por pesquisa

Pesquisa e registro Entrevistas Coleta Flávio x Lula
Quaest, 14/10 (BR-08729/2026) 2.154 10 a 13/10 46% x 44%
Datafolha, 15/10 (BR-00466/2026) 2.520 13 a 15/10 47% x 45%

Fonte: Correio da Manhã, sobre as pesquisas Quaest e Datafolha. Elaboração: redação.

Pela nossa conta, a diferença de 2 pontos fica dentro de uma margem de 3,7 a 4 pontos. Nas duas pesquisas, os dados não permitem afirmar quem está à frente. Pesquisas com pesos estatísticos podem ter margem real um pouco maior.

Pesquisa não é resultado

A pesquisa mede a intenção de voto no dia em que foi feita. Ela não prevê quem vai às urnas nem quem muda de ideia depois.

Os números de intenção incluem brancos, nulos e indecisos. Os votos válidos excluem brancos e nulos. No Datafolha de 15 de outubro, os votos válidos foram 51% para Flávio e 49% para Lula, segundo o Correio da Manhã.

Hoje não há proibição de divulgar pesquisa nos dias antes da eleição. A Lei 9.504 chegou a proibir a divulgação nos 15 dias antes do pleito, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou esse artigo inconstitucional em 2006. Continuam valendo o registro com cinco dias de antecedência e a regra da boca de urna. A boca de urna só pode ser divulgada depois do fechamento das seções, às 17h de Brasília, segundo o Correio 24 Horas.

O que diz o TSE: A Resolução 23.600/2019 manda registrar a pesquisa no PesqEle até cinco dias antes da divulgação. Esta reportagem não enviou perguntas ao tribunal: a posição citada é a do texto da resolução, reportado pelo O Liberal.

O que isso significa

Com a mesma vantagem de 2 pontos em duas pesquisas, a disputa segue aberta. Os dados mostram um empate estatístico, não uma vitória. Antes de compartilhar um número, procure o registro no PesqEle, confira quem pagou e quantas pessoas foram ouvidas. A totalização oficial do TSE começa a ser divulgada às 17h de domingo, segundo o Correio 24 Horas.

Como fizemos: Usamos reportagens do Correio da Manhã sobre a Quaest de 14/10 e o Datafolha de 15/10, acessadas em 23/10/2026, além de textos do O Liberal, do Muita Informação e do Correio 24 Horas e a decisão do STF de 2006. Não conseguimos abrir o PesqEle nem o site do TSE, então os números de registro são os das reportagens e devem ser conferidos no sistema. A margem da diferença é nossa conta, pela fórmula de amostra aleatória simples: 1,96 × raiz de [(p1 + p2 − (p1 − p2)²) ÷ n]. Não lemos a íntegra da Lei 9.504/1997 nem do guia do TRE-MT. A Quaest de 21/10 (45% a 44%) ficou de fora, porque o registro informado por uma reportagem não pôde ser conferido.

Fontes