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Queda de 13,88% na Bolsa: paciência não é promessa
O Ibovespa caiu 13,88% em 26 de outubro de 2026. Pânico é mau conselheiro, e o pequeno investidor merece informação honesta, não medo nem euforia.
Este texto pertence ao caderno Comentário. A análise é de quem assina e não representa necessariamente a posição do Jornal Liberdade.

Opinião da redação do Jornal Liberdade. Este texto defende uma posição e não é reportagem.
Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o Ibovespa caiu 13,88% e fechou aos 176.608,23 pontos. Foi a maior perda percentual desde março de 2020, segundo a CNN Brasil. O dólar subiu entre 8,21% e 8,36%, conforme a fonte, e fechou perto de R$ 5,40.
A B3, que administra a bolsa, acionou o circuit breaker, ou disjuntor. É um mecanismo que para os negócios quando a queda é forte demais. Durante meia hora, ficaram paralisados os negócios com ações, ETFs e o próprio Ibovespa, entre outros.
O gatilho apontado pelas reportagens foi a eleição. Segundo a CNN Brasil, Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, e o resultado contrariou quem apostava em Flávio. Este texto defende uma posição simples: o pânico é mau conselheiro. Paciência ajuda, mas não é promessa de ganho.
Para a maioria dos brasileiros, a Bolsa ainda é distante. A B3 informou que a base de pessoas físicas em renda variável, ou seja, em investimentos cujo valor sobe e desce, como ações, chegou a 5,7 milhões de CPFs no segundo trimestre de 2026. Eram 5,5 milhões em dezembro de 2025 (B3, boletim divulgado em 17/09/2026).
Pânico vende na hora errada
A crise de 2008 mostra o outro lado da história. Naquele ano, o Ibovespa caiu 41,22% e fechou em 37.550 pontos, em 30 de dezembro, segundo a agência DF. Quem vendeu no desespero transformou a perda em prejuízo definitivo. Quem comprou no meio da crise, sem saber onde ela terminaria, também podia perder mais antes de ganhar.
Em 2009, o índice fechou em 68.588 pontos, segundo a mesma agência. A alta de 82,66% sobre o fechamento de 2008 é conta nossa, feita com essas duas cotações. Ela não inclui dividendos. Um ano bom depois de um ano ruim não garante que o próximo seja igual.
A DALBAR, empresa americana que mede o comportamento do investidor, compara o retorno de quem aplica em ações com o do índice S&P 500. Em 2025, o investidor médio americano teve 17,16%, e o índice, 17,88%. A diferença foi de 0,72 ponto percentual. Pequena, mas real, e ela lembra que o resultado depende também de quando a pessoa compra e vende.
Paciência precisa de informação, não de promessa
Paciência funciona melhor quando a pessoa entende o que comprou, quanto pode perder e quando vai precisar do dinheiro. Essa informação é um bem público. Não deveria depender de quem tem um produto para vender.
A CVM, Comissão de Valores Mobiliários, é o órgão que regula o mercado de capitais no Brasil. Sua página inicial traz as seções Proteção e Educação para o investidor. Quem não tem dinheiro para pagar um consultor precisa de regras claras e de material gratuito. O Tesouro Direto é outra porta. Trata-se de um programa do Tesouro Nacional, operado pela B3, com títulos públicos vendidos pela internet. Mesmo assim, títulos vendidos antes do vencimento podem render menos do que o previsto ou dar prejuízo.
Influenciador que promete retorno rápido e comentarista que anuncia o fim do mundo fazem a mesma coisa: usam a emoção de quem lê. O pequeno investidor merece o contrário, com dados e riscos explicados antes de qualquer conselho.
A Bolsa também não é a economia. Ela mostra, em tempo real, o que os investidores pensam de empresas e do futuro político. Emprego, salário e produção não mudam de tamanho no pregão de uma tarde. A queda merece atenção, mas não deve virar tragédia nacional.
O contraponto é real. O pânico pode aprofundar a queda, como mostrou 2008. Ninguém sabe onde está o fundo, nem analistas nem influenciadores. Ativos podem perder valor, e este texto não recomenda comprar nem vender nenhum ativo.
O que diz a B3: segundo a CNN Brasil, a bolsa acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020 por causa da alta volatilidade do mercado brasileiro. Os negócios ficaram parados por meia hora.
O que ainda não se sabe é quanto tempo a instabilidade dura. O analista Fábio Murad, da Wiser Asset, disse à Exame: “O circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê sua duração.” A frase resume a dúvida. Quem tem dinheiro na Bolsa precisa olhar para o próprio prazo e para a própria tolerância a perdas, com informação clara e sem pressa imposta por ninguém.
Como fizemos: Usamos as cotações de fechamento do Ibovespa e do dólar publicadas pela CNN Brasil e pela Exame em 26/10/2026, e os números da B3 no boletim do 2º trimestre de 2026, divulgado em 17/09/2026. Os fechamentos de 2008 e 2009 vêm da agência DF. A alta de 82,66% em 2009 é nosso cálculo (68.588 ÷ 37.550 − 1), em pontos do índice e sem dividendos. Os dados da DALBAR referem-se ao mercado americano e ao ano de 2025. Os números não mostram o que acontecerá com a Bolsa depois de 26/10/2026. Acessados em 26/10/2026.
Fontes
- Ibovespa cai 13,88%, dólar sobe e Bolsa tem maior queda desde a pandemia — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa fecha em baixa de 13,9%, maior queda diária em 6 anos; dólar dispara 8,2% — Exame (acesso em 26/10/2026)
- ETFs ganham 223 mil investidores em um ano e alcançam 862 mil CPFs na B3 — B3 (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa de São Paulo perdió durante el año un 41,22% — DF (acesso em 26/10/2026)
- Plaza de São Paulo cierra el año con su quinta subida consecutiva — DF (acesso em 26/10/2026)
- 2026 QAIB: resultados de 2025 da DALBAR (acesso em 26/10/2026)
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — página inicial (acesso em 26/10/2026)
- Tesouro Direto — Tesouro Nacional (acesso em 26/10/2026)
- Foto: Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) — Wikimedia Commons (acesso em 26/10/2026)
